Um exame de sangue experimental chamado Panxeon foi desenvolvido para estimar o risco de câncer de pâncreas a partir de uma única amostra. A tecnologia combina três marcadores biológicos e usa inteligência artificial para transformar as medições em uma pontuação de risco.
O estudo, publicado na revista científica Nature Medicine, avaliou quase 1.800 pacientes nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. O teste identificou corretamente a doença nos estágios 1 e 2 em 87% dos casos. A taxa de falso-positivo foi de 3% entre pessoas de baixo risco e de 16% nos grupos de alto risco.
O que o exame procura
O Panxeon analisa microRNAs circulantes, microRNAs exossomais e a proteína CA19-9. De acordo com os pesquisadores, trata-se do primeiro teste experimental a reunir esses três biomarcadores em um único exame.
Além do câncer, a biópsia líquida detectou displasia de alto grau em mais de 64% dos casos. A condição pré-cancerígena avançada é frequentemente considerada câncer de pâncreas em estágio 0. A identificação pode ajudar a definir quais cistos pancreáticos precisam de monitoramento ativo ou de intervenção antes do desenvolvimento de um tumor invasivo.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores liderados pelo City of Hope, nos Estados Unidos. O autor sênior Ajay Goel, chefe do Departamento de Diagnóstico Molecular e Terapêutica Experimental da instituição, afirmou que o câncer de pâncreas costuma ser descoberto depois que a possibilidade de cura começa a diminuir.
Para quem o teste pode ser útil
Entre os pacientes com maior probabilidade de se beneficiar estão aqueles com risco hereditário, histórico familiar de câncer de pâncreas, cistos pancreáticos ou pancreatite crônica. Esses grupos costumam passar por acompanhamento com exames de imagem e outros testes.
Segundo Goel, o Panxeon não substituiria exames de imagem nem outras ferramentas diagnósticas. A proposta seria ajudar a indicar quais pacientes de alto risco precisam de uma avaliação adicional.
O câncer de pâncreas tem uma das menores taxas de sobrevida entre os tipos de câncer: apenas 14% dos pacientes sobrevivem cinco anos após o diagnóstico. Cerca de 90% dos casos são identificados em estágios avançados, quando a doença já se disseminou.
"A maioria dos biomarcadores revela apenas uma parte da história", disse Goel. Para o pesquisador, a combinação de diferentes sinais biológicos pode oferecer uma visão mais clara do que ocorre no pâncreas.








