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Horário do remédio para pressão deve seguir a rotina do paciente

Estudos não confirmam vantagem cardiovascular de tomar anti-hipertensivos à noite, e entidades recomendam priorizar a adesão ao tratamento.

Horário do remédio para pressão deve seguir a rotina do paciente

A escolha do horário para tomar remédios contra a pressão alta deve considerar a rotina que o paciente consegue manter todos os dias. As pesquisas disponíveis não confirmam que usar a medicação ao se deitar reduza ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais ou mortes.

O que os estudos encontraram

O Hygia Chronotherapy Trial, publicado online no European Heart Journal em 2019, acompanhou mais de 19 mil pessoas com hipertensão arterial. Os participantes foram orientados a tomar os medicamentos pela manhã, ao acordar, ou à noite, antes de dormir. Ao longo de 6 anos, os investigadores relataram uma razão de risco de 0,55 para eventos cardiovasculares maiores. O resultado representava um risco relativo 45% menor no grupo que tomava a medicação à noite.

A validade desses achados foi analisada em um editorial de 2020 do European Heart Journal. Pesquisadores da revista solicitaram a um estatístico independente uma avaliação dos dados fornecidos pelos autores. A análise considerou os resultados publicados “consistentes, em um grau satisfatório, com os dados fornecidos”. A publicação também afirmou que “não conseguiu documentar nenhuma má conduta científica”, mas reconheceu que os editores não tinham como verificar os dados originais.

Uma revisão sistemática da Sociedade Internacional de Hipertensão, publicada no Journal of Hypertension em 2022, examinou os estudos de desfecho sobre o uso de medicamentos ao se deitar. Os 8 trabalhos avaliados apresentavam falhas metodológicas ou de outra natureza importantes, além de alto risco de viés. Por isso, os autores apontaram a necessidade de confirmação por ensaios clínicos independentes.

Outro estudo, o TIME, foi realizado no Reino Unido e publicado no The Lancet em 2022. A pesquisa acompanhou mais de 21 mil adultos que já tratavam a hipertensão e comparou o uso dos medicamentos à noite e pela manhã. Durante os 5 anos de acompanhamento, 3,4% dos participantes do grupo noturno e 3,7% do grupo da manhã morreram de causas vasculares ou foram hospitalizados por ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral.

A razão de risco foi de 0,95, com intervalo de confiança de 95% entre 0,83 e 1,10. Como o intervalo comporta tanto um pequeno benefício quanto um pequeno dano, os pesquisadores disseram que os dados são compatíveis com a hipótese de não existir diferença significativa entre os horários.

Limitações e pressão durante o sono

No estudo TIME, 39% dos participantes relataram que deixaram de seguir o horário indicado em algum momento, contra 22,5% no grupo que tomava a dose pela manhã. A pesquisa também exigia que os participantes tivessem um endereço de e-mail; 90,5% eram brancos e cerca de 13% tinham histórico de doença cardiovascular. Essas características dificultam avaliar a aplicação dos resultados a pacientes mais diversos ou com maior risco.

A Associação Americana do Coração explica que a pressão arterial costuma cair durante o sono. Esse padrão é chamado de “queda noturna” e ocorre com a redução da atividade do sistema nervoso simpático, ligado à resposta de luta ou fuga. Ao acordar, a pressão sobe rapidamente.

Ataques cardíacos e derrames acontecem com frequência entre 6h e meio-dia, período que coincide com a elevação matinal da pressão. A entidade, porém, afirma que ainda não está claro se o aumento da pressão é responsável por elevar o risco.

O documento de posicionamento de 2025 da Sociedade Europeia de Hipertensão relaciona o padrão noturno a hormônios como aldosterona e cortisol, ao metabolismo do sódio pelos rins e ao próprio sono. A entidade classifica a pressão noturna como um forte preditor de eventos cardiovasculares e destaca a importância de medições durante a noite em casos de apneia obstrutiva do sono, doença renal crônica e diabetes.

Como definir o horário

Apesar da relevância das medições noturnas, o mesmo documento considera conflitantes os estudos sobre tomar anti-hipertensivos ao deitar e diz que essa prática não deve ser recomendada rotineiramente.

A Sociedade Europeia de Cardiologia orienta que o medicamento seja usado no horário mais conveniente para o paciente, favorecendo um padrão habitual e a continuidade do tratamento. A Associação Americana do Coração também não determina um horário específico e recomenda, quando prescrito dessa forma, uma dose única diária em vez de várias doses ao longo do dia. A entidade cita o estudo TIME, no qual a adesão foi maior entre os participantes que tomavam a medicação pela manhã.

A associação ainda afirma que não existem evidências de ensaios clínicos randomizados e controlados de alta qualidade demonstrando que reduzir a pressão durante o sono diminua o risco cardiovascular.

A decisão pode levar em conta situações individuais, como pressão mais alta à noite, efeitos colaterais relacionados ao período do dia, uso de diuréticos — comprimidos que aumentam a eliminação de água e podem causar idas frequentes ao banheiro — ou a necessidade de mais de uma dose diária. Essas escolhas devem ser feitas com um médico, mantendo o esquema prescrito e o controle da pressão ao longo de todo o dia.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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