O olho foi a principal localização dos melanomas que surgem fora da pele, representando 75% dos casos extracutâneos analisados no Brasil. A informação faz parte da 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, da Fundação do Câncer, que avaliou registros hospitalares da doença.
Entre 1990 e 2021, foram identificados 1.324 novos casos de melanoma extracutâneo no país. Desse total, 523 ocorreram em homens e 801 em mulheres. Os órgãos genitais responderam por 12,8% dos casos, enquanto o sistema digestório concentrou 8,2%.
Sintomas podem passar despercebidos
O melanoma extracutâneo pode aparecer no olho, em mucosas da cavidade oral e em órgãos internos dos sistemas genital e digestório. Embora seja menos frequente, esse tipo de tumor apresenta maior possibilidade de metástase e de disseminação para tecidos e órgãos vizinhos.
Nos 993 casos de melanoma ocular analisados, 447 (45%) ocorreram em homens e 546 (55%) em mulheres. A Fundação do Câncer alerta que a doença pode não apresentar sintomas no início e ser identificada apenas em exames de rotina.
Quando aparecem, os sinais podem incluir visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual. Como são manifestações inespecíficas, o diagnóstico pode ser retardado.
Tratamento e acesso no SUS
O estudo aponta que o combate ao melanoma exige prevenção, diagnóstico precoce, qualificação dos registros e acesso oportuno ao tratamento, com integração entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e outras especialidades.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento padrão inclui a cirurgia da lesão primária e a retirada dos linfonodos envolvidos. Entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial do melanoma de pele em todas as regiões do país, com 84,7% dos procedimentos registrados.
A Região Sudeste apresentou o maior percentual de cirurgias como primeiro tratamento, com 89,6% dos casos. O menor índice foi observado no Norte, com 64,4%. A maior necessidade de deslocamento para tratamento oncológico ocorreu no Centro-Oeste, onde 20,2% dos pacientes precisaram buscar atendimento fora da região de residência.
A Fundação do Câncer informa que o custo dos medicamentos é uma barreira para o acesso à imunoterapia em tempo hábil por pacientes que dependem do SUS. Em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil medicamentos anti-PD-1, como nivolumabe e pembrolizumabe, além do tebentafuspe, específico para melanoma ocular metastático ou inoperável.
Em 2020, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a primeira imunoterapia no SUS para melanoma metastático, com nivolumabe e pembrolizumabe. O coordenador do estudo, Alfredo Scaff, afirmou que a resposta clínica passou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% em imunoterapia.
Panorama do melanoma de pele
A análise reuniu 42.255 registros hospitalares. Do total, 92,2% eram melanomas cutâneos, 5,7% oculares e 2,5% de mucosa.
Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 casos novos de melanoma de pele no Brasil. As mulheres representaram 51,3% das ocorrências, com 15.714 casos, enquanto os homens somaram 14,9 mil, ou 48,7%.
O Inca registrou, em 2023, 2.047 mortes por melanoma de pele. Foram 1.176 óbitos entre homens e 871 entre mulheres. Para este ano, o instituto projeta 9.360 novos casos de câncer de pele melanoma no Brasil. As estimativas fazem parte do triênio 2026/2028.








