A escalada no Iêmen levou o Conselho de Segurança da ONU a marcar uma discussão sobre a situação no Estreito de Bab el-Mandeb, a pedido da França. A reunião contará com representantes do Iêmen e da Arábia Saudita, segundo fontes diplomáticas. O estreito é uma rota importante para o transporte de hidrocarbonetos e teve o controle tomado pelos houthis na semana passada, junto com parte da costa do Mar Vermelho.
A coalizão militar liderada por Riade confirmou que projéteis e drones lançados na véspera atingiram Khamis Mushait, Abha e Taif. Um comunicado informou 13 civis feridos. Os houthis disseram ter realizado uma ação em larga escala contra a base aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, com dezenas de mísseis balísticos e drones. Um morador relatou ter ouvido fortes explosões e visto incêndios.
Pressão sobre o petróleo
Os houthis também atacaram infraestruturas petrolíferas sauditas. A Arábia Saudita é o principal exportador mundial de petróleo bruto. Nesta terça-feira (15), o diesel americano chegou a 6,27 dólares (32 reais) por galão (3,78 litros), enquanto o barril de Brent se aproximou de US$ 110 (R$ 565).
Riade informou que responderá aos ataques com firmeza. Segundo os houthis, a coalizão realizou quase 50 ataques aéreos, repetindo a quantidade do dia anterior. Na segunda-feira (14), um ataque no oeste do Iêmen matou oito soldados das forças governamentais, conforme duas fontes militares.
A Arábia Saudita também adiou uma reunião com o Irã que seria realizada em Omã, com representantes dos países do Golfo. O encontro trataria do futuro do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã há meses durante a guerra com os Estados Unidos. O porta-voz iraniano Esmael Baqaei negou interferência de Teerã nos assuntos do Iêmen e afirmou que os houthis agem de forma independente.
Na segunda-feira (14), o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman recebeu em Jidá o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos Estados Unidos. A conversa tratou dos acontecimentos recentes na região, de acordo com a SPA.
Os combates das últimas semanas no oeste do Iêmen deixaram centenas de mortos e deslocaram quase 86.000 pessoas, segundo a Organização Internacional para as Migrações. As negociações entre Washington e Teerã continuam paralisadas. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, disse que não haverá negociações até que as condições iranianas sejam atendidas.








