Mais de 500 pessoas morreram desde o início da ofensiva dos rebeldes houthis no Iêmen em direção ao Mar Vermelho. O balanço reúne pelo menos 216 soldados do governo, 278 combatentes houthis e 29 civis, conforme informações de fontes dos dois lados.
Nesta terça-feira (8), os houthis atacaram alvos no sudoeste da Arábia Saudita, incluindo instalações da petrolífera Aramco. Os ataques deixaram 73 pessoas feridas, segundo informações dos rebeldes e da coalizão militar liderada pelos sauditas.
Ataques e resposta militar
O Ansarollah, veículo de comunicação próximo aos houthis, informou que foram usados drones e mísseis contra o aeroporto internacional de Abha, a base aérea Rei Khalid e unidades da Aramco em Abha e Jizan.
Yahya Saree, porta-voz dos houthis, reivindicou a autoria da ofensiva. Ele afirmou que a ação foi uma resposta a 121 bombardeios realizados por Riade no Iêmen nos últimos três dias. Segundo Saree, os rebeldes empregaram “dezenas de mísseis balísticos e drones”.
A coalizão militar saudita declarou que os ataques atingiram locais civis e econômicos e deixaram 73 civis feridos. O grupo informou que adotará medidas para responder à ameaça e neutralizar o perigo associado a ela.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou os ataques. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que “a mão iraniana” está por trás das ações houthis. O Irã é aliado dos rebeldes.
Combates e deslocamento
A retomada da guerra ocorre depois de mais de quatro anos de trégua entre os houthis e o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita. Os combates voltaram em julho, e a nova ofensiva rebelde começou na semana passada com o objetivo de avançar para áreas próximas ao Estreito de Bab al-Mandeb.
Na segunda-feira, os houthis acusaram Riade de bombardear diferentes regiões do Iêmen. A agência Saba, ligada ao movimento, relatou ataques nas províncias de Jawf, Al Bayda, Marib e Taiz. Na prisão de Al Hazm, em Jawf, 11 pessoas morreram, entre elas uma criança que visitava um parente.
A escalada obrigou quase 20.000 pessoas a deixar suas casas, segundo a Organização Internacional para as Migrações. O Iêmen enfrenta uma guerra civil desde 2014, quando os houthis avançaram a partir de Saada e assumiram o controle de grandes áreas, incluindo a capital, Saná.
Pressão sobre o petróleo
O Estreito de Bab el-Mandeb liga a Ásia à Europa por meio do Mar Vermelho e do Canal de Suez. A rota ganhou importância com a guerra no Oriente Médio e o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz.
Os houthis declararam um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e começaram a atacar navios sauditas em julho. As ofensivas afetaram as exportações de petróleo do reino, e o preço do produto se aproxima dos US$ 100 por barril.








