CAMPO GRANDE — Uma jovem de 19 anos, grávida de quatro semanas, está internada na Maternidade Cândido Mariano com dores e sangramento. Ela aguarda uma ultrassonografia transvaginal desde quinta-feira, às 16h, para avaliar o risco de aborto espontâneo.
A paciente foi informada de que o médico responsável havia deixado a unidade e que deveria permanecer no hospital até a disponibilidade de uma equipe para realizar o exame. Na manhã de sexta-feira, a previsão era que o atendimento ocorresse por volta das 9h, mas o especialista teria chegado apenas às 11h30.
Relato do marido
Christopher Peres, de 24 anos, afirmou que procurou a maternidade com a esposa depois de o casal passar pela Santa Casa e pelo Hospital Universitário. Segundo ele, o médico atendeu cerca de seis pacientes antes de interromper os exames.
“Ele olhou para a cara da minha esposa e de outra jovem e disse que tinha de sair para resolver compromissos pessoais e que não daria para atender hoje”, relatou Christopher.
Kamilly Vitória Salomão está na segunda gestação e passou pela perda de um bebê há cerca de um ano. De acordo com o marido, ela continua com perda de sangue e fortes dores enquanto permanece na enfermaria.
Ainda segundo Christopher, a equipe de enfermagem não administrou novas medicações para aliviar a dor porque não havia médico no plantão. O casal também teria enfrentado dificuldades para conseguir apoio da assistência social da unidade.
A orientação recebida foi para que a paciente permanecesse no hospital durante todo o fim de semana, até o retorno da equipe responsável na segunda-feira (21).
Atendimento emergencial
A administração da maternidade foi procurada às 17h08. Como a diretoria não estava no local, o caso seria encaminhado ao diretor da unidade. Depois do contato, uma funcionária informou ao casal que uma médica especialista iria ao hospital às 19h30 e que a paciente havia sido incluída em uma lista de prioridade.
Uma nova tentativa de contato com a administração ocorreu por volta das 17h30, mas não houve atendimento. No serviço 24 horas, um funcionário da recepção disse que não havia responsável pelo hospital naquele momento e que a administração só retornaria na segunda-feira. Ele também negou a presença de chefe de plantão ou representante da diretoria médica durante o fim de semana.







