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Vacinas na gestação também protegem bebês nos primeiros meses de vida

Imunização materna reduz riscos para gestantes e recém-nascidos, mas cobertura contra gripe e covid ainda está abaixo da meta nacional.

Vacinas na gestação também protegem bebês nos primeiros meses de vida

A vacinação durante a gravidez ajuda a proteger o bebê depois do nascimento, quando ele ainda não pode receber as doses contra influenza e covid-19. Os anticorpos produzidos pela mãe atravessam a placenta e contribuem para combater essas doenças nos primeiros meses de vida.

A proteção é necessária porque a imunização infantil contra influenza e covid-19 começa aos 6 meses. Ensaios clínicos citados pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) mostram que a vacina contra a gripe pode reduzir em torno de 70% a ocorrência da doença nos primeiros meses do bebê. No caso da covid-19, a quantidade de anticorpos no cordão umbilical pode ser maior do que no sangue materno.

Apesar desse benefício, a cobertura vacinal entre gestantes ainda não alcança a meta do Ministério da Saúde. Em 2025, 55% receberam a vacina contra a covid-19 e 63% foram imunizadas contra a influenza. Os dados preliminares deste ano apontam 55% de cobertura para covid-19 e 76% para influenza. O objetivo para os dois imunizantes é chegar a 90% do público-alvo.

Risco para mães e bebês

Dados do Ministério da Saúde mostram que, de 2022 até o início de agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes ou puérperas tiveram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) após infecção por algum subtipo do vírus Influenza. Dessas pacientes, 25 morreram, sendo sete este ano.

No mesmo período, a covid-19 provocou pelo menos 205 casos graves e 21 mortes entre gestantes ou puérperas. Durante 2020, 2021 e 2022, foram registrados 3.547 casos de SRAG comprovadamente causados pelo vírus nesse grupo. Ao todo, 811 mulheres morreram.

A vacinação reduziu esses indicadores. Uma comparação feita por cientistas brasileiros apontou que a taxa mensal de casos de SRAG em gestantes e puérperas caiu para um terço do patamar anterior à vacinação, enquanto a mortalidade ficou quase cinco vezes menor.

Ainda assim, influenza e covid-19 respondem juntas por quase 30% dos casos de SRAG em gestantes e puérperas registrados este ano no Brasil. Entre as mortes, a participação passa de 50%. As duas doenças estão entre as principais preocupações durante a gestação, e suas vacinas podem ser aplicadas em qualquer fase da gravidez.

Imunização prevista no pré-natal

Além das vacinas contra gripe e covid-19, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece às gestantes doses contra hepatite B, dT, dTpa e VSR. A vacina contra febre amarela pode ser indicada em situações específicas, como circulação comprovada da doença, surto, emergência, alto risco ou viagem para áreas com essas condições.

A ginecologista Giuliane Lajos, da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que a vacinação deve fazer parte do checklist básico do pré-natal. Durante a gravidez, alterações no sistema imunológico e a redução do espaço pulmonar podem deixar a mulher mais vulnerável a infecções e a quadros graves.

A vacinação também reduz riscos para o feto. Uma análise com dados de mais de 1,2 milhão de gestantes em todo o mundo associou a imunização contra covid-19 a menor risco de parto prematuro, morte fetal e anomalias congênitas.

Entre crianças menores de 2 anos, o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe registrou, até o dia 19 de setembro, quase 4 mil casos de SRAG causados por influenza, com 55 mortes. Os casos graves comprovadamente provocados por covid-19 nessa faixa etária somam 808, com 18 mortes.

Desde 2023, pelo menos 9.725 crianças com menos de 2 anos adoeceram gravemente por covid-19, e 223 morreram. As vacinas de RNA mensageiro aplicadas no Brasil demonstraram eficácia de quase 100% contra mortes por covid-19, enquanto a vacinação contra a gripe reduz o risco de morte em até 75%.

Proteção contra coqueluche

A imunização materna também ajuda a proteger os recém-nascidos contra a coqueluche. A primeira dose infantil é aplicada aos 2 meses, e o esquema só termina aos 6 meses. Até lá, o bebê depende dos anticorpos recebidos da mãe.

A cobertura da dTpa entre grávidas subiu de 34% em 2016 para 94% em 2025. Os dados preliminares deste ano apontam alcance de 88%. Desde 2023, a vacinação dos bebês permanece próxima de 90%.

Os casos confirmados de coqueluche caíram de 7.747 em 2024 para 2.744 em 2025 e 401 até 10 de setembro deste ano. Mesmo assim, nove dos 11 óbitos registrados em 2026 foram de bebês com menos de 1 ano; oito tinham menos de 6 meses.

Conferência da carteira

Na Clínica da Família Ricardo Lucarelli, no centro do Rio de Janeiro, a carteira de vacinação é conferida na primeira consulta de pré-natal. Quando há uma dose pendente, a gestante é encaminhada para a sala de vacina ao lado, no mesmo dia.

A médica de saúde da família Catarina Jatobá de Souza também relata que agentes comunitários reforçam mensalmente a necessidade de levar a carteira às consultas e avisam quando há atraso. Reuniões de gestantes, encontros de pais e outras atividades da unidade são usados para orientar as famílias.

Nataly Saldanha, moradora da capital fluminense, chegou às 39 semanas de gestação com a carteira completa. Raissa Silva de Oliveira, com 34 semanas, também recebeu orientação sobre as doses durante o pré-natal. Para Flávia Bravo, diretora da SBIm, a baixa adesão à vacina contra influenza está ligada à acomodação, enquanto a resistência à imunização contra covid-19 é alimentada pela desinformação.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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