O Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa ligada ao empresário Lucas Kallas. O repasse ocorreu por meio de um contrato de mútuo conversível, modalidade de empréstimo que permite transformar o valor em ações ou quotas da empresa. O contrato previa R$ 5,9 milhões.
Os pagamentos foram realizados até o final de 2025, quando Mendonça ainda fazia parte do quadro societário do instituto. A entidade foi criada em 2024, e o ministro anunciou sua saída no último dia 3 de setembro.
A transferência foi interrompida no final de 2025, depois que o Iter afirmou ter alcançado sustentabilidade financeira. Um termo aditivo antecipou o vencimento da dívida e estabeleceu o ressarcimento dos valores corrigidos pela taxa Selic. A devolução começou em janeiro deste ano. Até o momento, o instituto quitou cerca de 5,3% do total devido.
Em fevereiro, Mendonça foi sorteado relator do processo de investigação do Banco Master. Em setembro, deixou o quadro societário do Iter.
As negociações do aporte foram conduzidas pelo presidente-executivo do instituto, o ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga, diretamente com Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto, diretores de investimento e jurídico da Cedro.
O que dizem o Iter e a Cedro
O Iter afirma que André Mendonça e Lucas Kallas não participaram das discussões sobre termos, valores ou assinatura do contrato. Também diz que todo o dinheiro foi depositado na conta da pessoa jurídica, com uso exclusivo na estruturação e operacionalização do instituto, sob acompanhamento contábil e fiscal.
A entidade afirma que não distribuiu lucros, dividendos ou participações nos resultados a acionistas, sócios ou administradores. Segundo o instituto, a atuação de Mendonça durante o período em que integrou a entidade ficou restrita ao magistério acadêmico, sem contrapartida financeira.
A Cedro nega ter tido sociedade ou vínculo empresarial com Daniel Vorcaro. A empresa afirma que a relação entre Kallas e empresas do grupo de Vorcaro se limitou a investimentos comuns em companhias de capital aberto, o que, segundo a holding, “não configura sociedade comercial”.
A Cedro também informou que consolidou sua posição na Biomm em 2023 e entrou na Latache Capital entre 2024 e 2025. A holding deixou de ser sócia das duas companhias em abril de 2026, para concentrar seus investimentos no setor de mineração. As assessorias ainda disseram que Kallas deixou, em definitivo, um negócio investigado em 2017, antes da fundação da Cedro.







