A Polícia Civil de Pernambuco identificou uma estrutura com funções separadas para aplicar o golpe do falso parente e movimentar o dinheiro obtido das vítimas. A Operação Proteu cumpriu cinco mandados de prisão e dez de busca e apreensão em cinco municípios de Pernambuco, Mato Grosso e Minas Gerais. A corporação divulgou os detalhes nesta segunda-feira (28).
A investigação apontou que os criminosos usavam o nome e a fotografia de familiares para criar perfis falsos. Depois, faziam uma ligação telefônica que era interrompida e transferiam a conversa para mensagens de texto. Com isso, a vítima não conseguia reconhecer pela voz que não estava falando com o parente.
Na sequência, os suspeitos apresentavam uma situação de urgência e pediam um pagamento imediato, normalmente com a promessa de devolver o dinheiro no dia seguinte. Os valores eram enviados por Pix para contas de terceiros. Após a primeira transferência, novas solicitações eram feitas.
A delegada Lígia Cardoso afirmou que a apuração começou depois que uma vítima relatou ter transferido dinheiro a alguém que se passou por seu irmão. “Normalmente os criminosos utilizam uma imagem que está no Instagram da pessoa e colam no WhatsApp”, disse.
A Polícia Civil informou que a investigação começou em setembro de 2025 e continuou até este mês. Durante o trabalho, os investigadores descobriram também a captação de contas bancárias para sustentar as fraudes. Anúncios em redes sociais ofereciam pagamento pelo uso dessas contas, inclusive em um perfil com mais de 30 mil seguidores.
Segundo a corporação, os executores cuidavam dos perfis falsos. As aliciadoras anunciavam, compravam e repassavam as credenciais das contas. Os validadores testavam os acessos e autorizavam os pagamentos, enquanto operadores remotos movimentavam o dinheiro a partir de Mato Grosso e Minas Gerais. Outros integrantes recebiam, fracionavam e dispersavam os valores.
As medidas ocorreram no Recife e em Olinda, em Pernambuco; em Cuiabá e Barão de Melgaço, em Mato Grosso; e em Montes Claros, em Minas Gerais. A operação foi coordenada pelas delegadas Viviane Santa Cruz, titular da Delegacia de Repressão ao Estelionato, Erica Bezerra e Lígia Cardoso.
A delegada Viviane Santa Cruz informou que as prisões são temporárias e têm o objetivo de preservar a investigação. Ainda há mandados de prisão em aberto, e a Polícia Civil pretende ampliar a apuração sobre vítimas e investigados.








