TENNESSEE — O governador Bill Lee suspendeu outra execução prevista para este ano e determinou uma revisão integral por terceiros depois que o procedimento contra Christa Pike não foi concluído. A condenada recebeu duas injeções de pentobarbital, mas testemunhas disseram que ela continuava viva antes de serem retiradas do local.
A execução ocorreu na Instituição de Segurança Máxima Riverbend, às 10h locais (12h de Brasília), poucas horas depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizar que a pena fosse aplicada. Christa foi levada a um hospital após a tentativa, mas sua equipe de defesa informou que não havia recebido detalhes sobre o estado de saúde dela.
“Esta noite, o estado do Tennessee mais uma vez falhou em realizar uma execução legal”, afirmou a defesa em comunicado. Os advogados alegaram que houve dificuldade para acessar as veias, rompimento de veias e problemas relacionados ao pentobarbital, além da ausência de atendimento médico de emergência disponível.
Sete repórteres que acompanharam o procedimento relataram, em uma transmissão ao vivo, que a mulher de 50 anos cantou e se mexeu em alguns momentos. Ela também reclamou de dor no braço após a aplicação e estava roncando antes que os agentes penitenciários retirassem as testemunhas. Uma ambulância deixou o local com as luzes acesas, mas não ficou claro se Christa estava dentro do veículo.
Decisão judicial e histórico do caso
A Suprema Corte havia rejeitado na terça-feira um pedido para interromper a execução. Na decisão que permitiu o procedimento, houve discordância das juízas Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson. Um grupo de especialistas da ONU também havia pedido que a pena fosse suspensa e convertida.
Christa foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, cometido em 1995, quando tinha 18 anos. Ela e o namorado espancaram e mataram a colega em um acampamento de formação profissional para jovens. O namorado, que tinha 17 anos na época, recebeu prisão perpétua.
Os advogados afirmam que Christa tinha transtorno bipolar e estresse pós-traumático desde a infância, mas só recebeu os diagnósticos depois da condenação. Em um pedido de clemência, disseram que ela sofria de uma doença mental grave e havia enfrentado estupros, violência sexual, abandono e traumas profundos. Bill Lee se recusou a intervir.
A execução seria a primeira de uma mulher no Tennessee em 200 anos. Nos Estados Unidos, 18 mulheres foram executadas desde 1976, de acordo com o Centro de Informação sobre a Pena de Morte. A última foi Amber McLaughlin, em 2023, no Missouri, que também foi a primeira mulher transgênero executada no país.








