A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) classificou 14 dos 27 trechos avaliados como impróprios para banho em praias da Região Metropolitana do Recife e dos litorais Norte e Sul de Pernambuco. O informativo foi divulgado na quinta-feira (3), com validade até esta quinta-feira (10).
As amostras foram coletadas entre 31 de agosto e 1º de setembro. A CPRH recomenda evitar o banho de mar nos pontos que receberam a classificação de impróprios.
Praias incluídas no levantamento
A análise abrangeu trechos localizados no Recife, em Olinda, Paulista, Itamaracá, Igarassu, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Tamandaré e São José da Coroa Grande.
Os pontos classificados como impróprios ficam nas seguintes praias:
- Praia do Pina e Praia de Boa Viagem, no Recife;
- Praia de Rio Doce, Praia de Bairro Novo, Praia do Carmo e Praia dos Milagres, em Olinda;
- Praia de Candeias, Praia de Barra de Jangadas e Praia de Maria Farinha, em Jaboatão dos Guararapes;
- Praia do Janga, em Paulista;
- Praia de Enseada dos Corais, Praia de Gaibú e Praia de Jaguaribe, no Cabo de Santo Agostinho.
A Praia do Janga aparece em dois pontos da lista. Um deles fica em frente à Rua Cláudio S. Bastos, e o outro, em frente à Rua Betânia. Também foram detalhados locais específicos nas demais praias, como a área próxima à foz do Rio Doce, em Olinda, e trechos diante de vias, praças e estabelecimentos comerciais.
Como é feita a classificação
Segundo a CPRH, a coleta ocorre no local mais utilizado para recreação. A avaliação segue a Resolução Conama Nº 274/00 e considera as concentrações de enterococos em um conjunto de amostras de cinco semanas consecutivas ou em cinco amostragens com intervalo mínimo de 24 horas entre elas.
A água é considerada própria quando 80% ou mais das coletas apresentam, no máximo, 100 enterococos por 100mL de amostra. A classificação passa a ser imprópria quando esse critério não é atendido ou quando a última amostragem registra mais de 400 enterococos.
Crianças passaram mal após banho no Janga
Dois dos pontos impróprios ficam na Praia do Janga, onde cinco crianças passaram mal após contato com a água no último final de semana. Os três filhos da empreendedora Bruna Michelle e outras duas crianças que estavam com a família tiveram diarreia e vômito após um banho no local.
O grupo esteve na praia no sábado (5), próximo ao Armazém Coral, e brincou na água e na lama formada pela maré baixa. No dia seguinte, os sintomas começaram a aparecer. Uma das crianças também teve uma crise de asma durante a permanência na praia.
Na segunda-feira (7), as crianças foram levadas à Policlínica Amaury Coutinho, no bairro de Campina do Barreto, na Zona Norte do Recife. Os profissionais informaram que os três filhos de Bruna estavam desidratados. Eles receberam medicação e foram diagnosticados com infecção bacteriana.
As crianças tiveram alta médica na manhã desta terça-feira (8) e continuaram o tratamento com antibiótico em casa, ainda com náusea e diarreia.
A Prefeitura do Paulista informou que acompanha o caso. A Secretaria de Meio Ambiente afirmou que questões relacionadas ao esgotamento sanitário são responsabilidade da Compesa, enquanto a CPRH monitora a qualidade da água do mar e a balneabilidade.
A Compesa declarou que não opera a rede coletora de esgoto no trecho mencionado. A empresa também informou que, nas áreas onde presta serviço, o esgoto é coletado e encaminhado diretamente às estações de tratamento, sem lançamento de efluentes nas praias. A origem da água escura no local ainda depende de avaliação técnica.








