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Contrato de R$ 427 milhões envolve advogada ligada a ministro do STF

Documentos enviados pela Polícia Federal ao Supremo citam honorários condicionados ao resultado de ações sobre precatórios de interesse de Daniel Vorcaro.

Contrato de R$ 427 mi liga mulher de juiz a Kassio Nunes Marques, diz colunista
Foto: Sergio LIMA/AFP

Um contrato de honorários de R$ 427 milhões, condicionado ao resultado de ações judiciais de interesse do banqueiro Daniel Vorcaro, aparece em documentos enviados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF). O material também reúne mensagens que associam a advogada Camilla Ramos e o marido dela, o desembargador Newton Ramos, do TRF-1, à expressão “Turma do KN”, usada por assessores de Vorcaro em referência ao ministro Kassio Nunes Marques.

O contrato prevê a atuação de Camilla Ramos em 12 processos do setor sucroalcooleiro. As ações tratam de indenizações relacionadas ao controle de preços do antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) e poderiam liberar aproximadamente R$ 8,5 bilhões em precatórios.

Como funcionavam os honorários

Pelo acordo, a advogada receberia 5% líquidos sobre o valor pago ao Banco Master, que aparece como credor ou cessionário dos créditos. O pagamento deveria ocorrer em até cinco dias depois da obtenção dos ganhos.

O documento também autorizava o escritório de Camilla Ramos a receber diretamente da União a parcela dos honorários e a inscrever precatórios em seu próprio nome.

O contrato e as mensagens estavam em um HD encaminhado pela Polícia Federal em julho ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso. Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes pediram acesso à íntegra do arquivo na semana passada. Eles suspeitaram que Mendonça estaria concentrando a análise em Alexandre de Moraes. O ministro negou que houvesse direcionamento.

Mensagens citam ministro e benefícios

Nas conversas, assessores de Daniel Vorcaro teriam usado “Turma do KN” para mencionar Newton Ramos e Camilla Ramos. As mensagens indicam que o desembargador repassava pedidos de Kassio Nunes Marques e atualizava o banqueiro sobre os precatórios.

Um dos pedidos mencionados envolvia uma diária no hotel Fasano. Em uma mensagem, Vorcaro autorizou que a hospedagem fosse paga por ele. As conversas também registram, segundo as informações reunidas no material, o custeio de hospedagens, ingressos para a Fórmula 1, viagens e camarote na Sapucaí enquanto o banqueiro buscava receber os precatórios.

Camilla Ramos também teria comemorado, em mensagem a Vorcaro, o voto de Kassio Nunes Marques em um julgamento da Segunda Turma do STF que reconheceu o débito por 3 a 2. Além de Kassio, votaram a favor Dias Toffoli e Edson Fachin. Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos.

Kassio havia se declarado impedido e depois mudou de posição, conforme as informações sobre o caso. Em manifestação reproduzida anteriormente, o ministro afirmou que seu impedimento havia sido registrado pela Secretaria porque ele tinha decidido o processo como vice-presidente do TRF-1. Depois, entendeu que tecnicamente não estava impedido por se tratar de uma tese ampla e pediu a correção do registro.

O ministro disse ainda que já havia votado no mesmo sentido no TRF-1 e que o processo não envolvia o Banco Master, a favor do qual, segundo ele, nunca votou. Kassio também negou que seu filho tenha recebido dinheiro de Daniel Vorcaro.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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