CAMPO GRANDE — O bombeiro militar Felipe Batista Valeriana Domingues, de 37 anos, foi preso neste domingo (27) por suspeitas de estupro e perseguição. O militar também já havia sido denunciado por assédio contra três adolescentes do Instituto Mirim, em Campo Grande, em casos registrados entre janeiro e junho de 2022.
Os boletins de ocorrência envolveram jovens de 16, 17 e 16 anos. Elas trabalhavam na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), no mesmo local que Felipe.
Em um dos relatos, uma adolescente de 16 anos afirmou, durante escuta especializada na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), que o bombeiro perguntou se ela era virgem e solteira. Ele também teria perguntado com qual gênero ela se identificava e insistido para que os dois conversassem fora da sala, sem outras pessoas por perto.
Outra jovem, de 17 anos, contou que era abordada pelo militar sempre que passava pelo corredor. Segundo o registro, ele dizia que ela era bonita, pedia que passasse mais vezes pelo local e teria mostrado uma foto de sunga.
No terceiro caso, uma adolescente de 16 anos relatou que almoçava no refeitório da secretaria quando Felipe se sentou ao lado dela. Ele teria perguntado se ela era solteira e pedido seu número de telefone. Depois, a jovem comunicou o episódio à chefia imediata, que a orientou a não ficar sozinha no mesmo ambiente que o bombeiro.
Cerca de dez dias depois do último boletim, Felipe foi transferido de setor e de local de trabalho. A mudança foi oficializada no mês seguinte, em publicação no Diário Oficial do Estado. A Sejusp e o Instituto Mirim foram procurados para informar a situação, mas não haviam respondido.
Acusação que levou à prisão
A denúncia mais recente envolve uma mulher que conheceu Felipe enquanto trabalhava em uma farmácia. Ele deixou um telefone de contato e os dois passaram a conversar por mensagens. Depois de descobrir que o militar era casado, ela teria desistido de manter um relacionamento.
Segundo o relato apresentado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Felipe foi até o trabalho da mulher com uma arma na cintura e pediu que ela entrasse no veículo. Ele a teria levado para uma rua escura no Jardim Centenário, onde teria forçado relações sexuais dentro do carro.
A vítima registrou boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito. A prisão preventiva foi decretada.
Durante o cumprimento do mandado, Felipe se recusou a sair de casa para acompanhar os policiais da Deam. O oficial de dia do Corpo de Bombeiros foi acionado e, após uma negociação, o militar se entregou e foi levado à delegacia em uma viatura da corporação.
Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul afirmou que está apurando o caso. A instituição declarou que não compactua com qualquer forma de violência e que condutas incompatíveis com seus valores e deveres são investigadas.







