CAMPO GRANDE — As barracas de doces, conservas e pimentas de Anhanduí foram reconhecidas como patrimônio cultural de Campo Grande. A medida alcança as estruturas, a paisagem e a atividade tradicional mantida pelas famílias às margens da BR-163.
A prefeita Adriane Lopes sancionou a Lei Municipal nº 7.679, publicada nesta quinta-feira (10). O projeto havia sido aprovado pela Câmara Municipal de Campo Grande em 11 de agosto e foi proposto pelo vereador André Salineiro.
O reconhecimento ocorre enquanto os comerciantes aguardam definições sobre a duplicação da rodovia pela Motiva Pantanal. A obra provoca preocupação porque uma mudança para uma rua lateral ou para um ponto mais distante poderia afetar o movimento e a renda das famílias.
Proteção não impede mudança
A nova regra determina que as barracas sejam inscritas no Livro de Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico de Campo Grande. Antes disso, a prefeitura ainda precisará abrir um procedimento administrativo, no qual comerciantes, proprietários e outros interessados poderão se manifestar.
O tombamento exige autorização prévia do órgão municipal responsável para reformas, ampliações, alterações estruturais ou remoções. Assim, a proteção não assegura que as barracas permanecerão nos locais atuais. Uma retirada poderá ser analisada e autorizada pelo município.
A lei também esclarece que o tombamento não muda a propriedade das estruturas, não representa desapropriação e não cria direito automático a indenização. Entre as previsões estão ações de incentivo ao turismo e à atividade econômica, incluindo capacitação e apoio aos trabalhadores, desde que haja recursos no orçamento municipal.
Comerciantes aguardam definição
Caminhoneiros e viajantes formam parte importante do público que para nas barracas durante o trajeto. Algumas famílias atuam no local há décadas, com alimentos fornecidos por produtores rurais da região.
Em fevereiro, cerca de 150 pessoas participaram de uma audiência pública em Anhanduí sobre o futuro da atividade. Os comerciantes defenderam a continuidade dos pontos junto à rodovia e disseram que há poucas alternativas de trabalho no distrito.
Em dezembro de 2025, uma empresa contratada pela Motiva Pantanal procurou os trabalhadores para levantar dados sobre a quantidade de barracas, os produtos comercializados, as pessoas empregadas e possíveis adaptações para uma mudança.
Na audiência, a concessionária informou que ainda não havia decisão sobre retirada ou realocação. A empresa afirmou que os levantamentos eram preliminares e que qualquer definição seria discutida com o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande.








