O preço das terras em Três Lagoas foi o que mais subiu entre as 10 regiões de Mato Grosso do Sul analisadas pela Scot Consultoria. O movimento ocorre em meio ao avanço da agroindústria e às expectativas de melhorias na infraestrutura ligada às rotas da Celulose e Bioceânica.
Os dados fazem parte da 47ª edição do relatório da consultoria, referente ao quadrimestre de agosto, setembro, outubro e novembro deste ano. O estudo avaliou propriedades rurais de 17 Estados, incluindo áreas agrícolas e de pastagem em Aquidauana, Bodoquena, Chapadão do Sul, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Dourados, Naviraí, Nova Andradina e Três Lagoas.
Em Três Lagoas, o preço médio das terras para pastagem chegou a R$ 24,8 mil por hectare. O valor representa alta de 16,4% em relação ao quadrimestre anterior, de abril a julho, e de 13,8% na comparação com o mesmo período de 2025, entre agosto e novembro. A média ficou acima dos R$ 20,710 mil registrados para o Estado.
As áreas destinadas ao cultivo agrícola alcançaram R$ 55,1 mil por hectare na região. O preço avançou 4,8% sobre o quadrimestre anterior e 9,3% ante o mesmo período do ano passado. A diferença entre os dois tipos de terra chegou a 122%, fazendo com que o hectare agricultável custasse mais que o dobro da área voltada à pastagem.
Segundo Gustavo Duprat, engenheiro agrônomo, consultor e analista da Scot Consultoria, a procura por terras com melhor custo de oportunidade aumentou com a expansão da agroindústria em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. O movimento também alcançou áreas mais baratas e com menor aptidão agrícola.
“A procura por terras produtivas em Mato Grosso do Sul também ajudou a elevar o preço das terras destinadas à agricultura”, afirmou Duprat.
No Estado, o preço médio das propriedades para lavouras foi estimado em R$ 47,470 mil por hectare no terceiro quadrimestre de 2026. A alta foi de 1,4% sobre o período anterior e de 5,8% na comparação com o mesmo quadrimestre de 2025. Para pastagens, a média ficou em R$ 20,710 mil, com aumentos de 4,4% e 5,9%, respectivamente.
A expansão da agroindústria, da citricultura no Leste e Nordeste e da cana-de-açúcar em regiões como Chapadão do Sul e Paraíso das Águas contribuiu para a valorização. As perspectivas de melhoria no escoamento também influenciaram o mercado. A Rota da Celulose deve atrair investimentos superiores a R$ 10 bilhões nos próximos 30 anos, enquanto a Rota Bioceânica conectará Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, passando pelo Paraguai e pela Argentina. Porto Murtinho é apontado como ponto estratégico no Estado.
Dourados manteve preços elevados, com média próxima de R$ 48 mil por hectare. Algumas áreas agrícolas chegam a R$ 220 mil por hectare, um dos maiores valores registrados no País. O Incra também destacou Dourados, Maracaju, Chapadão do Sul e Sidrolândia entre as regiões de maior valor fundiário em Mato Grosso do Sul.
A pesquisa da Scot Consultoria reúne informações de imobiliárias, corretores e compradores de terras. Os dados de ofertas e negócios são analisados após a exclusão de valores fora do padrão. A metodologia difere da utilizada pelo Incra, que considera o valor da terra nua e dados de cartórios.








