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Atores com deficiência reivindicam espaço real em produções culturais

Paulo Fabião afirma que o cripface reduz oportunidades e trata uma característica do corpo como algo que pode ser apenas imitado.

Atores com deficiência reivindicam espaço real em produções culturais
Foto: Arquivo Pessoal/Paulo Fabião/Clube Barbixas 2022

A participação de artistas com deficiência em filmes, séries, peças e propagandas envolve mais do que representatividade: também diz respeito ao acesso ao trabalho. Para Paulo Fabião, jornalista, escritor, ativista e palestrante, o cripface — escolha de artistas sem deficiência para interpretar personagens com deficiência — mantém uma prática capacitista aceita no meio cultural.

Fabião defende que a deficiência não deve ser interpretada. Na avaliação dele, atores com deficiência são as pessoas mais adequadas para viver personagens com a mesma condição, porque não se trata apenas de uma construção artística, mas de uma característica do corpo. Quando essa condição é simulada, afirma, mesmo produções sérias podem transformar a deficiência em chacota ou deboche.

O escritor também relaciona o cripface às oportunidades profissionais, que considera escassas para pessoas com deficiência. Ele compara a prática ao blackface, em que atores brancos interpretavam personagens negros. Para Fabião, os dois casos partem da ideia de que não haveria artistas qualificados disponíveis — justificativa que ele considera falsa no caso dos atores negros e também quando se trata de pessoas com deficiência.

A curadora e idealizadora do Acessa BH, Laís Vitral, avalia que a discussão envolve representatividade e acesso a oportunidades. O debate inclui ainda a possibilidade de artistas com deficiência interpretarem personagens sem deficiência, uma escolha que, para Fabião, não deve limitar esses profissionais a papéis associados à própria condição.

Ele deixou de atuar como comediante por causa da falta de acessibilidade em espaços culturais. Segundo o escritor, havia locais acessíveis para o público, mas sem condições para que uma pessoa com deficiência subisse ao palco. Em alguns casos, era necessário carregá-lo para que pudesse apresentar um show sobre a própria falta de acessibilidade.

Fabião afirma que parte das pessoas que aceitam ser carregadas encara a situação como protesto, mas também teme perder oportunidades de trabalho ao reclamar. Ele critica a ideia de tratar a acessibilidade como gasto, em vez de investimento, e alerta para o risco de quedas e acidentes durante o transporte manual.

Para contestar a alegação de que artistas com deficiência não conseguiriam cumprir determinadas performances, como cantar ou dançar, Fabião cita o dançarino Edu O. e o cantor Nelson Ned, descrito por ele como uma das maiores vozes do país. O escritor também é autor de Capacitismo em toda parte o tempo todo e Crônicas de um humorista fracassado, lançados em 2026 pela editora Uiclap, e de O Incluso, publicado pela editora Kotter em 2020.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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