O número de brasileiros que já fizeram apostas em plataformas online chegou a 43,8 milhões até o fim de agosto deste ano. O total corresponde a 27% da população adulta do País e representa alta de 75,2% em relação ao fim de 2025, quando havia 25 milhões de pessoas registradas, segundo dados do Ministério da Fazenda obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.
Apesar do aumento no número de pessoas que já usaram as chamadas bets, a média mensal de jogadores que efetivamente depositaram dinheiro diminuiu. No primeiro semestre de 2026, foram 8,5 milhões por mês, ante 9,2 milhões em 2025. A redução foi de 7,6%.
Ao mesmo tempo, cerca de 5 milhões de CPFs foram impedidos de acessar as plataformas. De acordo com a Fazenda, 3 milhões pertencem a beneficiários de programas sociais, 474 mil são de inscritos no programa de renegociação de dívidas e 854 mil correspondem a pessoas que pediram a própria exclusão.
Receita cresce com menos jogadores ativos
Mesmo com a queda entre os jogadores que movimentaram dinheiro, as empresas autorizadas aumentaram o valor retido. Nos seis primeiros meses de 2026, a diferença entre o total apostado e os prêmios pagos chegou a R$ 20,2 bilhões. No mesmo período de 2025, o valor havia sido de R$ 19,1 bilhões, alta de 5,9%.
Os depósitos feitos pelos jogadores recuaram de R$ 99,2 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 88,5 bilhões neste ano. O pagamento de prêmios caiu de R$ 80,1 bilhões para R$ 68,3 bilhões. Com isso, as casas ficaram com 22,8% do dinheiro depositado no período.
O levantamento considera 85 empresas autorizadas pelo governo federal e outras duas que funcionam por decisão judicial. Sites clandestinos não entram nas estatísticas.
O maior número de jogadores ativos em 2026 foi registrado em janeiro, com 10,2 milhões. Em abril, o total caiu para 7,2 milhões e voltou a subir em junho, quando começou a Copa do Mundo. O avanço da movimentação durante o torneio não gerou crescimento equivalente no faturamento das empresas.
Homens representam 68,84% das pessoas que usam as plataformas, enquanto mulheres correspondem a 31,16%. A faixa etária mais numerosa é a de 31 a 40 anos, com 29,07% do total.
Na quinta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o impacto das apostas no orçamento doméstico está entre as preocupações do governo nas discussões sobre novas restrições ao setor. O debate envolve especialmente a preservação da renda das famílias, segundo o ministro.








