CAMPO GRANDE — O advogado Amilton Ferreira de Almeida foi preso temporariamente por 30 dias nesta terça-feira (29), durante a segunda fase da Operação Infiltrados. Batizada de Obstructio, a etapa investiga o possível vazamento de informações sigilosas da ação policial.
Amilton defendia o delegado Hoffman D’Ávila, preso na primeira fase da operação. O advogado foi detido em casa, na Vila Albuquerque, e levado para a Depac do Cepol. O Gaeco também cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Campo Grande, conforme informou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
A apuração trata de uma possível comunicação criminosa relacionada à primeira fase da operação, deflagrada na quinta-feira (24). O MPMS afirma haver evidências de que informações da ação foram repassadas e que o vazamento teria prejudicado diretamente a investigação sobre a organização criminosa.
A OAB acompanhou o cumprimento das medidas porque Amilton é advogado. A defesa nega que ele tenha transmitido informações sobre a operação.
O que diz a defesa
A advogada Damares Costa Machado, responsável pela defesa de Amilton, afirma que a prisão está ligada à suspeita de que ele teria avisado Hoffman sobre a ação policial. Segundo ela, os dois haviam combinado de tomar café por volta das 5h na manhã da operação. O encontro seria habitual, já que costumavam sair cedo para caminhar.
Após o café, Hoffman não voltou para casa, não foi encontrado pelos policiais e se apresentou voluntariamente à noite. Damares sustenta que Amilton não sabia previamente da operação e também entregou o celular para análise. “não há nenhuma prova de vazamento de informação”, afirmou a advogada.
Hoffman passou a ser representado pelo advogado José Roberto Rosa.
Investigação sobre drogas apreendidas
A Operação Infiltrados apura um esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais em Mato Grosso do Sul. Conforme a investigação, parte dos entorpecentes era retirada dos registros oficiais ou dos depósitos de delegacias e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal.
Na primeira fase, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão. As medidas ocorreram em Campo Grande, Dourados e Terenos. Entre os investigados estão policiais civis, policiais militares e um policial penal. O Gaeco aponta Hoffman D’Ávila como líder de um dos núcleos investigados.








