A diferença de dois pontos percentuais entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno provocou forte reação no mercado financeiro. O dólar à vista terminou a segunda-feira em R$ 5,0022, com queda de 4,12%. Flávio teve 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula.
A cotação de fechamento foi a menor desde 21 de maio deste ano, quando a moeda havia encerrado o pregão em R$ 5,0004. O recuo diário também foi o maior em mais de 8 anos, desde 8 de junho de 2018, quando o dólar caiu 5,59%.
No acumulado do ano, a moeda norte-americana passou a registrar baixa de 8,87%. Durante a sessão, o dólar à vista chegou a R$ 4,9534 às 10h38, uma queda de 5,06%. Foi a primeira vez desde maio que a divisa ficou abaixo de R$ 5.
Mercado acompanha segundo turno
Às 17h05, o contrato futuro do dólar para novembro, o mais negociado na B3, recuava 4,28%, para R$ 5,0280. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e profissionais do mercado avaliaram como pouco provável uma virada no resultado.
A avaliação predominante entre investidores foi de que uma eventual vitória de Flávio aumentaria as chances de o governo federal promover um ajuste das contas públicas. A política fiscal de Lula, por outro lado, continuou sendo vista com desconfiança.
“Caso Flávio confirme a vitória, o dólar/real deverá seguir em tendência de baixa de longo prazo”, afirmou José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos, em relatório voltado a estratégias para importadores brasileiros. Ele acrescentou que não seria surpresa uma queda para a faixa de R$ 4,90-R$ 4,80.
O movimento também ocorreu junto com a redução de mais de 135 pontos-base nas taxas dos DIs de longo prazo e a alta de mais de 7% do Ibovespa. No exterior, o índice do dólar subia 0,24%, a 102,140, às 17h25.
Sem efeito nas cotações, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.







