CAMPO GRANDE — Todos os projetos inscritos no edital Cultura dos Trilhos foram inabilitados pela comissão gestora da Prefeitura de Campo Grande. A seleção previa dois murais para o viaduto da linha férrea na Rua Maracaju, com investimento total de R$ 120 mil.
O resultado foi publicado nesta segunda-feira (5) no Diogrande e no site da Fundação Municipal de Cultura. Cada trabalho teria direito a R$ 60 mil. Com a reprovação das propostas, um novo edital deverá ser aberto ainda nesta semana, depois de uma nova análise jurídica.
Motivos para a reprovação
Entre os problemas identificados estão o uso de Inteligência Artificial na concepção, na produção ou na elaboração do produto final, a falta de ineditismo e a ausência de documentos que comprovassem experiência anterior em muralismo.
A comissão também avaliou que os projetos não alcançaram nível satisfatório em critérios como qualidade estética, legibilidade, criatividade, unidade visual, coerência e originalidade. Alguns portfólios não tinham registros fotográficos ou documentação suficiente para demonstrar a execução de trabalhos anteriores.
Outro ponto foi o cronograma. Em algumas propostas, todas ou grande parte das etapas estavam concentradas nos fins de semana. Para a comissão, os prazos não demonstravam viabilidade operacional suficiente para preparar, acompanhar e concluir os murais.
O edital pedia obras inéditas relacionadas diretamente à identidade e à cultura de Campo Grande, incluindo história, patrimônio, fauna, flora, diversidade étnica e manifestações populares. A diretora de Desenvolvimento de Programas e Projetos Culturais, Solimar de Almeida, afirmou que “99%” das propostas apresentaram referências mais amplas de Mato Grosso do Sul, especialmente ligadas ao Pantanal, em vez de elementos da capital.
Entre os exemplos citados estavam a onça e o lobo-guará. A diretora também questionou a representação dos povos originários em uma proposta que usou a imagem de uma indígena Guató. Segundo ela, os projetos poderiam abordar a presença indígena em Campo Grande considerando as etnias e comunidades da realidade local.
Novo processo
Solimar explicou que a Inteligência Artificial não estava necessariamente proibida em todas as etapas, mas não poderia substituir a criação e a capacidade de execução do artista. A preocupação da comissão foi com a apresentação de um produto final produzido pela ferramenta, já que isso dificultaria verificar se o mural poderia ser reproduzido conforme a proposta.
A Prefeitura decidiu iniciar o processo novamente. A intenção inicial era apenas republicar a seleção, mas a assessoria jurídica orientou a abertura de um novo edital para permitir que os mesmos artistas participassem com propostas reformuladas.
As regras serão mantidas, mas o texto deverá explicar com mais clareza o que se espera dos participantes. Também está prevista uma ação para tirar dúvidas dos interessados antes das novas inscrições.
O Cultura dos Trilhos é realizado pela Fundac, com recursos da PNAB destinados ao município de Campo Grande, para contratar dois artistas responsáveis pela execução das pinturas.








