SÃO PAULO — Cerca de 82% dos lares brasileiros tinham algum tipo de dívida em meados de 2026, conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). No mesmo levantamento, 29,8% das famílias disseram estar com contas atrasadas e 12,3% afirmaram não ter condições de quitar os compromissos assumidos.
Nesse cenário, o Ministério da Fazenda prepara uma iniciativa voltada principalmente para débitos antigos de pessoas físicas. O ministro Dario Durigan anunciou o programa durante uma agenda em São Paulo ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A proposta prevê que essas dívidas possam ser adquiridas com desconto. A partir disso, seriam criadas novas condições para a renegociação. Ainda não foram informados os critérios para participar, os valores envolvidos, as formas de pagamento ou como a operação será colocada em prática.
O que já foi definido
Cartão de crédito, carnês e financiamentos estão entre as modalidades consideradas nos dados sobre o endividamento das famílias. A nova iniciativa representa uma etapa posterior ao Novo Desenrola Brasil, programa federal criado para a renegociação de dívidas de pessoas físicas.
O Novo Desenrola atendia pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos. Podiam ser renegociadas dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal feitas até 31 de janeiro de 2026, desde que o atraso estivesse entre 91 dias e dois anos.
As regras previam abatimentos de 30% a 90%, conforme as características e o tempo de atraso. Os juros poderiam chegar a 1,99% ao mês, com limite de R$ 15 mil por pessoa e por instituição financeira. O pagamento podia ser dividido em 12 a 48 meses, com parcela mínima de R$ 50.
Também havia previsão de retirada da negativação para pessoas com dívidas de até R$ 100 nas instituições participantes. O Ministério da Fazenda informou que o período de renegociação terminou em 31 de agosto de 2026.
Resultados e novos atrasos
Na Caixa Econômica Federal, os descontos chegaram a 90% do valor original dos débitos. Em maio, a instituição informou ter realizado R$ 1,36 bilhão em negociações nas diferentes modalidades do Novo Desenrola, incluindo R$ 89,5 milhões no segmento destinado às famílias.
No total, R$ 28,37 bilhões em dívidas das famílias foram renegociados. Depois dos acordos, o saldo caiu para R$ 5,71 bilhões. Dados do Fundo Garantidor de Operações (FGO) também apontaram que três em cada dez operações de renegociação tinham parcelas não pagas.
O endividamento ainda foi tratado pelo Banco Central. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, demonstrou preocupação com ofertas de crédito que classificou como “agressivas ou predatórias”. Ele defendeu mais transparência e conscientização na contratação de empréstimos e financiamentos, além de mudanças para que o consumidor tenha mais tempo e informações antes de assumir um compromisso.







