O governo avalia comprar dívidas antigas com descontos elevados para retirar famílias do cadastro negativo. A proposta está na fase final de elaboração pelo Ministério da Fazenda e deve ser apresentada nos próximos dias ao presidente Lula pelo ministro Dario Durigan.
O formato em análise prevê um leilão conduzido pelo próprio governo. A ideia é adquirir débitos que os credores já têm pouca expectativa de receber, com um deságio que limite o impacto nas contas públicas. Nesse modelo, o consumidor não precisaria acessar uma plataforma nem aceitar uma oferta individual para participar da renegociação.
Durigan afirmou que a política deve priorizar compromissos acumulados há mais tempo. “Vamos propor ao presidente que ele faça uma política para limpar o nome, principalmente das dívidas mais antigas”, disse o ministro.
Proposta mira inadimplência persistente
A Fazenda considera que parte das famílias continua impedida de recuperar o acesso ao crédito mesmo com a melhora recente no emprego e na renda. Os débitos teriam sido acumulados durante períodos de crise e agravados pelos juros altos.
O cenário inclui inadimplência elevada entre consumidores. Dados mais recentes do Banco Central indicam que o índice chegou a 5,8% em julho, o maior nível desde março de 2011. Para a equipe econômica, os efeitos da crise econômica e da pandemia de Covid-19 ainda pesam sobre o orçamento das famílias.
O governo já lançou duas etapas do Desenrola. A primeira envolveu dívidas bancárias e contas de consumo, como luz e gás, com renegociação por meio de uma plataforma. A segunda ficou limitada a débitos de crédito bancário, com descontos organizados por faixas e garantia do governo nas operações.
A proposta atual muda essa dinâmica porque a negociação seria feita antes, no leilão de dívidas, sem depender da adesão ativa do devedor. Durigan também defende que ações para reduzir o endividamento sejam realizadas de forma recorrente.
Como os técnicos ainda fecham o desenho do programa, o nome Desenrola pode ser alterado. A nova iniciativa também deve funcionar de maneira diferente das anteriores, justamente por não exigir que o consumidor entre em uma plataforma para renegociar o débito.







