Os preços do petróleo fecharam em alta nesta terça-feira, depois de ataques dos houthis, apoiados pelo Irã no Iêmen, contra instalações energéticas da Arábia Saudita. O Brent subiu US$0,92, ou 0,9%, e terminou o dia a US$97,92 por barril. O WTI avançou US$1,55, ou 1,7%, para US$93,03.
As duas referências permaneceram em território tecnicamente de sobrecompra. O Brent registrou seu maior fechamento desde 23 de julho pelo segundo dia consecutivo, enquanto o WTI atingiu o nível mais alto desde 4 de junho.
Os houthis atacaram quatro cidades no sul da Arábia Saudita e incendiaram instalações petrolíferas. Mais de 70 pessoas ficaram feridas. Ainda na terça-feira, a mídia controlada pelo grupo informou que aviões de guerra sauditas fizeram ataques aéreos no distrito de Jubah, no Iêmen, a leste da capital Sanaa, e na província de Taiz, no sudoeste.
A ofensiva ocorre em meio a interrupções nas exportações de petróleo do Golfo Pérsico. O Irã atacou infraestruturas energéticas na região e navios que passavam pelo Estreito de Ormuz depois de ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel no final de fevereiro.
A Arábia Saudita, segunda maior produtora mundial de petróleo, atrás apenas dos Estados Unidos, tem transportado parte da produção para o oeste, em direção ao Mar Vermelho, para contornar o estreito. Os ataques de terça-feira ameaçam ampliar os efeitos econômicos da guerra ao interromper o fornecimento de energia do Oriente Médio para além do Estreito de Ormuz, que está bloqueado.
Pressão sobre combustíveis e juros
O número de navios de carga que cruzaram o Estreito de Ormuz foi de sete na segunda-feira, ante oito no dia anterior, conforme dados da Kpler divulgados na terça-feira. Antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo passava pela rota.
Bancos como Goldman Sachs e HSBC elevaram as projeções para o preço do petróleo no restante de 2026 e em 2027. Wall Street também considera a possibilidade de que as interrupções no transporte marítimo do Oriente Médio continuem até 2027.
Apesar da alta, os contratos recuaram em relação aos maiores ganhos do dia diante do temor de que combustíveis caros aumentem a inflação e levem bancos centrais a elevar juros. Esse movimento poderia reduzir o crescimento econômico e a demanda por energia.
Os preços globais dos combustíveis também foram pressionados por interrupções em refinarias do Oriente Médio, da Rússia e de outras regiões. Nos Estados Unidos, o diesel atingiu níveis recordes na semana passada, e a gasolina chegou a preços recordes durante o fim de semana prolongado do Dia do Trabalho. Executivos do setor esperam oferta restrita de diesel durante o inverno, devido à falta de capacidade de refino, à proibição russa de exportações após ataques da Ucrânia e à proximidade do pico de demanda da estação.







