Pesquisadores chineses estudam o uso de minas de carvão abandonadas para criar laboratórios agrícolas subterrâneos. A proposta é reaproveitar áreas de extração desativadas e testar formas de cultivo protegidas de secas e tempestades que afetam as plantações na superfície.
O ambiente profundo também pode bloquear a radiação espacial e manter o ar fresco. Com isso, as minas funcionariam como espaços para o cultivo fechado, sem a necessidade de construir novas estruturas em grandes cidades.
Como seria o cultivo subterrâneo
Nas áreas de teste, a iluminação natural seria substituída por painéis de LED. O controle da umidade teria papel central para evitar problemas na colheita. Outra mudança seria o plantio direto na água enriquecida com nutrientes, em vez do uso tradicional da terra.
Entre as possibilidades apontadas estão a manutenção de uma temperatura estável durante os 12 meses do ano e o bloqueio de pragas e insetos que atacam as plantações ao ar livre. O sistema também permitiria reaproveitar espaços abandonados e reduzir o consumo de água potável por meio de um sistema de gotejamento fechado.
A principal dificuldade está no gasto de energia para manter as plantas iluminadas. Por isso, o projeto busca compensar esse custo com a conexão da rede às usinas solares próximas.
Espaço para pesquisa e próximos passos
As minas desativadas da China somariam grandes áreas subterrâneas, com potencial de gerar até 10 milhões de metros cúbicos para pesquisas botânicas no escuro. O reaproveitamento também poderia recuperar empregos em regiões afetadas pelo fim da atividade mineradora, agora voltados ao cultivo de alimentos.
A tecnologia ainda está nos testes iniciais, com poucos cultivos em desenvolvimento. Engenheiros avaliam que serão necessários pelo menos oito anos de operação contínua para que o sistema amadureça e tenha custos menores. Até lá, o cultivo subterrâneo permanece como uma alternativa em avaliação para a produção de alimentos em um planeta mais quente.







