PEQUIM — China e Estados Unidos prorrogaram por dois meses a trégua comercial entre os dois países, com validade até 10 de janeiro. O Ministério do Comércio da China afirmou que o período permitirá avaliar o acordo em andamento sobre questões econômicas e comerciais e discutir os próximos passos.
O ministério disse que a extensão cria um “ambiente político relativamente estável e previsível” para a cooperação entre empresas e a continuidade das negociações. Os dois governos também manterão conversas regulares sobre oportunidades e barreiras de investimento, com o objetivo de ampliar a transparência das políticas e responder às preocupações das empresas.
A prorrogação fez parte dos resultados da segunda cúpula do ano entre Xi Jinping e Donald Trump, realizada em Washington na semana passada. O encontro também levou à decisão de reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias negociadas entre China e Estados Unidos.
Produtos com tarifas menores
Por meio do Conselho de Comércio EUA-China, cada país recomendou US$ 30 bilhões em bens não sensíveis para receber tratamento tarifário mais favorável. Para os Estados Unidos, a medida representa acesso melhorado ao mercado chinês para cerca de 30% das exportações americanas destinadas ao país, segundo Jamieson Greer, Representante de Comércio dos EUA.
Entre os produtos agrícolas norte-americanos que a China planeja incluir na redução estão milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas. A soja não aparece na lista. Também estão previstos cortes para peixes e frutos do mar, toras e produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos dos Estados Unidos.
Na relação de reduções tarifárias dos Estados Unidos aparecem pequenos eletrodomésticos chineses, como cafeteiras e torradeiras, além de louças, cobertores e roupas de cama. Brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, luzes para árvores de Natal, outras decorações festivas e cadeirinhas infantis para carros também foram incluídos.
Agricultura e carvão
A seleção chinesa parece relacionada ao compromisso de US$ 17 bilhões para a compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos, conforme informado pela Casa Branca. A China já retomou a compra em grande escala de soja norte-americana dentro de um acordo firmado no ano passado para adquirir 25 milhões de toneladas métricas por ano.
Os países criarão um grupo de trabalho sobre agricultura subordinado a um conselho comercial. A primeira reunião deverá ocorrer antes do fim do ano, com discussões sobre acesso aos mercados e regulamentação.
A China também deverá importar 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos anualmente em 2027 e 2028. Segundo a Casa Branca, o volume equivale aproximadamente a 2% das importações anuais de carvão chinesas. Gás natural liquefeito e petróleo não aparecem na lista.
O Ministério do Comércio da China afirmou que a compra de carvão ajudará o mercado interno chinês e levará renda e empregos ao setor norte-americano.
Outros pontos do entendimento
Na área de inteligência artificial, os dois lados concordaram em criar um canal de comunicação para incidentes e realizarão um diálogo de acompanhamento até o final de novembro.
A China também analisará e aprovará instituições estrangeiras de serviços financeiros, incluindo empresas com capital norte-americano, para que possam operar e abrir filiais no país. Os governos ainda manterão comunicação sobre o aumento do número de voos entre China e Estados Unidos.







