A conta de luz residencial subiu 7% em setembro, com o fim dos efeitos do bônus de Itaipu, e ajudou a levar o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) a uma alta de 0,44%. No mês anterior, o indicador havia recuado 0,47%, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).
O aumento da energia foi acompanhado pela alta de 16,47% no subitem cigarros, após o reajuste nacional da tabela. Entre as oito classes de despesa analisadas, seis aceleraram: Habitação, de -1,10% para 1,68%; Alimentação, de -0,91% para 0,03%; Transportes, de -0,49% para 0,16%; Despesas Diversas, de 1,08% para 2,11%; Vestuário, de -1,33% para -0,20%; e Saúde e Cuidados Pessoais, de 0,18% para 0,25%.
O movimento do consumidor ocorreu no mesmo período em que o IGP-10 avançou 1,47%, depois de registrar queda de 0,51% em agosto. Com o resultado, o índice acumula alta de 2,97% no ano e de 3,29% nos últimos 12 meses. Em setembro de 2025, a elevação havia sido de 0,21%, com variação acumulada de 2,88% em 12 meses.
A maior contribuição veio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que subiu 1,90%, ante retração de 0,69% em agosto. As Matérias-Primas Brutas tiveram a alta mais intensa, de 3,91%, acima dos 0,23% registrados no mês anterior. Bens Finais passaram de queda de 0,62% para alta de 0,56%, enquanto Bens Intermediários saíram de recuo de 1,98% para avanço de 0,47%.
Para Matheus Dias, economista do FGV IBRE, o resultado no segmento agropecuário refletiu o aumento do risco climático associado ao fortalecimento do El Niño. O plantio da safra brasileira de grãos 2026/27 ainda estava no estágio inicial, mas a expectativa de intempéries elevou o prêmio de risco e estimulou empresas consumidoras a antecipar compras entre agosto e setembro. As commodities da Indústria Extrativa também apresentaram volatilidade com o agravamento das tensões no Oriente Médio.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,50%, abaixo dos 0,65% de agosto. Materiais e Equipamentos acelerou de 0,20% para 0,30%; Serviços caiu de 0,34% para 0,18%; e Mão de Obra passou de 1,25% para 0,80%. No acumulado de 12 meses, Condutores Elétricos registrou alta de 23%.







