A mudança na composição da inflação foi o principal destaque do IGP-M em setembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O índice voltou ao campo positivo, com alta de 1,57%, depois de registrar -0,22% em agosto. No acumulado do ano, a elevação chegou a 3,45%; em 12 meses, ficou em 3,34%.
Para Matheus Dias, economista do FGV IBRE, as pressões ocorreram simultaneamente no produtor e no consumidor. No Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), as matérias-primas brutas subiram 3,61%, com destaque para soja, milho e carne bovina. Já no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o fim do efeito do Bônus de Itaipu sobre a conta de energia contribuiu para a passagem de -0,41% em agosto para 0,50% em setembro.
“É uma configuração que merece atenção porque a pressão não ficou concentrada em apenas um componente do IGP-M”, afirmou Dias.
Preços ao produtor
O IPA teve alta de 2,08% em setembro, após recuar 0,34% no mês anterior. Entre os estágios de processamento, Bens Finais avançou 1,24%, revertendo a queda de 0,40% registrada em agosto. O índice de Bens Finais (ex), que exclui alimentos in natura e combustíveis para consumo, passou de 0,39% para 0,80%.
Bens Intermediários subiu 0,81%, depois de recuar 1,90% no mês anterior. O núcleo do grupo, que desconsidera combustíveis e lubrificantes para a produção, saiu de -0,23% em agosto para 0,63% em setembro. Já Matérias-Primas Brutas acelerou de 0,88% para 3,61%.
Consumidor e construção
Seis das oito classes de despesa do IPC tiveram aceleração. Habitação passou de -1,24% para 1,82%; Alimentação, de -0,67% para 0,51%; Vestuário, de -1,05% para 0,22%; Comunicação, de -0,81% para 0,21%; Transportes, de -0,16% para -0,08%; e Saúde e Cuidados Pessoais, de 0,22% para 0,26%.
Despesas Diversas desacelerou de 2,24% para 1,15%, enquanto Educação, Leitura e Recreação passou de -0,52% para -1,22%.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,25%, abaixo dos 0,85% de agosto. Materiais e Equipamentos caiu de 0,33% para 0,17%; Serviços, de 0,33% para 0,15%; e Mão de Obra, de 1,56% para 0,37%. Em setembro de 2025, o IGP-M havia subido 0,42% e acumulava alta de 2,82% em 12 meses.







