O encerramento das operações de apostas on-line no Brasil levou apostadores a rever planos de renda e carreira. Com o prazo para retirar os valores previsto para segunda-feira (5), parte dos usuários já transferiu o dinheiro disponível, enquanto outros ainda tentam concluir os saques.
A mudança ocorreu após o envio de uma medida provisória pelo governo federal ao Congresso Nacional. A proposta ainda será votada nos próximos meses e, para quem pretende continuar apostando, também representa a possibilidade de migrar para plataformas hospedadas no exterior.
Medo de perder proteção
Ricardo Berassolli, especialista em ciência de dados de 45 anos, apostava desde 2010 e tinha essa atividade como principal fonte de renda. Ele afirma que, antes da regulamentação implementada em 2023, não havia clareza sobre direitos nem canais oficiais para resolver problemas.
Com as regras para o jogo legal no Brasil, Berassolli diz ter percebido mais estabilidade e proteção ao consumidor. Depois do anúncio da medida provisória que proibiu a atuação das empresas no país, retirou todo o saldo da única plataforma que usava. A empresa comunicou os clientes sobre o resgate e informou que os valores restantes seriam estornados depois do fim do prazo.
Para o especialista, a mudança voltou a expor principalmente os apostadores menos experientes. “Voltou a ter um risco elevado de a pessoa fazer um depósito e, na hora de sacar, ter algum problema ou a casa simplesmente desaparecer”, avalia.
Jovem considera retomar os estudos
João Victor Brasil, de 24 anos, morador de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, começou a apostar depois da pandemia da Covid-19, quando ainda cursava o ensino médio. Naquele período, trabalhava com carteira assinada como auxiliar de serviços gerais no Aeroporto Santos Dumont e acordava diariamente às 5h.
Quando os ganhos aumentaram, as apostas se tornaram sua principal renda. Ele mantinha dinheiro em sete plataformas, já resgatou os valores de cinco delas sem problemas e ainda tem R$ 1,7 mil nas duas restantes. As empresas informaram que os saldos não retirados seriam enviados automaticamente às contas bancárias cadastradas.
A instabilidade da atividade, porém, continua entre as preocupações. “É uma renda variável. Tem mês que você ganha um valor e, em outro, não ganha nada”, pondera João Victor.
Com o fim repentino das operações, ele avalia voltar às salas de aula e retomar os estudos acadêmicos. O jovem também é sócio de um amigo em uma loja de roupas, mas o estabelecimento ainda não é sua principal fonte de renda.






