A Antártida recebeu cerca de 695 bilhões de toneladas de massa de manto de gelo entre julho de 2021 e abril de 2023. O aumento ocorreu durante a passagem de uma forte corrente tropical pelo polo sul, associada à atuação de rios atmosféricos.
Esses corredores de vento transportam água doce em forma de vapor por milhares de quilômetros. Ao alcançar a região antártica, o ar quente e úmido encontra temperaturas extremamente baixas. A umidade congela rapidamente e cai sobre a superfície na forma de neve.
Como a neve se acumulou
A concentração de precipitação em um intervalo curto acrescentou peso ao manto de gelo e alterou a base do terreno. A chegada de vapor d’água em grande quantidade também modificou o padrão de precipitação no continente.
O fenômeno é diferente de uma nevasca comum porque envolve o transporte de umidade por longas distâncias e a transformação rápida desse vapor em gelo ao entrar em contato com o frio intenso da Antártida.
Possíveis efeitos no ambiente
A mudança na quantidade de gelo pode aumentar o reflexo da luz solar nas montanhas congeladas da região. O evento também é associado a alterações na rotação das correntes marítimas pelo globo e a choques térmicos nas áreas onde vivem pinguins e focas nativas.
A ocorrência de rios atmosféricos é estudada para compreender como o ar quente consegue percorrer milhares de quilômetros sem perder toda a força. Quando o bolsão de umidade chega ao polo sul, o choque térmico transforma o vapor em precipitação.
O que pode acontecer nas próximas décadas
A previsão apresentada é de que frentes quentes visitem a Antártida com mais frequência nas próximas décadas. Com o aumento da temperatura do mundo, a evaporação constante da água dos mares ganha força e pode alimentar novos corredores de vapor.
O acompanhamento dessas mudanças climáticas é apontado como uma forma de preparar a sociedade para os impactos ambientais dos próximos anos.







