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Arte, esporte e trabalho revelam caminhos contra o capacitismo

No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, histórias mostram como criação, movimento e inclusão enfrentam barreiras cotidianas.

Arte, esporte e trabalho revelam caminhos contra o capacitismo

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado nesta segunda-feira (21), reúne histórias de pessoas que encontraram na arte, no esporte e na educação formas de expressão, trabalho e enfrentamento ao capacitismo — quando alguém subestima uma pessoa com deficiência.

Luciano Ambrósio, fotógrafo mineiro de 57 anos que mora em Ceilândia (DF), perdeu a visão aos 24 anos. Há 10 anos, descobriu a fotografia e passou a registrar detalhes do cotidiano com o apoio de um software de voz. Ele identifica o ambiente pela textura do chão, pela inclinação do terreno e pelos sons ao redor. Com o celular, recebe informações sobre o que está diante da câmera e decide o momento do clique.

Nascido em Lajinha (MG), Luciano se mudou para Brasília em 2002 para estudar biblioteconomia e trabalhar. Enquanto atuava no Senado como assessor, participou de uma oficina de fotografia inclusiva. A experiência o levou a observar folhas secas, pedras, reflexos de luz e chuva, além de pessoas andando e dançando.

O fotógrafo prepara a publicação independente do livro “Meu olhar”, prevista para novembro. A obra terá 120 páginas, 100 poesias e imagens produzidas por ele. A esposa, a cerimonialista Edna Teodoro, de 54 anos, afirma que a capacidade de criação dele a surpreende diariamente. Luciano também planeja um segundo livro e quer viver da própria arte.

Moda como manifesto

A estilista goiana Juliana Santos, de 40 anos, mora em São Paulo e entrou na Justiça pedindo reparação por uma série de ataques na internet. Prints reunidos por ela mostram comentários relacionados diretamente à sua deficiência. A exposição afetou o trabalho, com cancelamentos e perda de contratos.

Em 12 anos de carreira, Juliana produziu mais de 2.300 vestidos. Em 2024, foram 678; em 2025, o número caiu para 68, diante de uma previsão inicial de 127. Para 2026, ela já fechou 28 contratos. A estilista relata que há um inquérito em andamento há mais de um ano sobre denúncias de calúnia, perseguição e stalking.

Nesta segunda-feira (21), Juliana deve apresentar um vestido como manifesto contra o capacitismo nas redes sociais. A peça terá uma intervenção artística com 200 comentários ofensivos registrados por ela nos últimos dois anos.

Na infância, Juliana sofreu um incêndio acidental em casa aos quatro anos, perdeu os dedos das mãos e ficou com cicatrizes em outros membros. Desde criança, era interessada por roupas e, depois de aprender a se adaptar às limitações, fez aulas de pintura, artesanato e costura. Para ela, a deficiência não define seu trabalho, que envolve o cérebro, o olhar e a criatividade.

Esporte e inclusão

A professora de educação física maranhense Carolina Belfort, de 40 anos, trabalha em uma escola pública no Riacho Fundo, região periférica do Distrito Federal. Cadeirante, ela perdeu o movimento das pernas ainda criança depois de um tiro acidental dentro de casa.

No primeiro dia de aula, Carolina convida os alunos a fazer perguntas. Nas atividades, incentiva esportes, dança e momentos longe das telas. Ela conta que, durante o próprio período escolar, não se sentia incluída porque as pessoas não sabiam como orientá-la e tinham medo de que se machucasse. Hoje, quer trabalhar futuramente de forma especializada com outras pessoas com deficiência.

A funcionária pública e arquivista brasiliense Daniela Francescutti, de 56 anos, encontrou na natação uma prática de saúde, diversão e competição. Desde 2007, participa de provas masters e também compete em águas abertas. Nada estilos como borboleta e medley, além de provas longas de 800 metros e 1,5 mil metros livres.

Em 2013, Daniela começou a competir em águas abertas. Desde 2021, representa o Distrito Federal em competições nacionais de surdos. Neste ano, em Guaiaquil, no Equador, voltou do Open Panamericano com três medalhas. A delegação brasileira trouxe 24 medalhas.

Para Daniela, a natação também tem um sentido pessoal: é o espaço em que busca paz interior. A rotina de treinos mudou sua alimentação, o sono e a disposição para colaborar com a equipe.

Conscientização

A secretária nacional dos direitos da pessoa com deficiência, Isadora Nascimento, defende que o Brasil precisa ampliar o conhecimento sobre o capacitismo. Ela afirma que muitas pessoas reproduzem atitudes preconceituosas sem perceber e que campanhas de conscientização devem apresentar o conceito de forma simples e prática.

Isadora também defende levar o tema às escolas e realizar campanhas sistemáticas. Segundo ela, os marcadores sociais precisam ser considerados nas políticas públicas. Uma mulher negra com deficiência ou uma pessoa LGBT com deficiência, por exemplo, pode enfrentar diferentes camadas de opressão. Para ampliar a inclusão, a secretária considera necessário melhorar o mapeamento dessas pessoas e garantir mais direitos e oportunidades.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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