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Pesquisa do Unicef aponta falta de apoio para educar crianças sem violência

Levantamento ouviu 214 pessoas e identificou que parte das famílias ainda separa palmada de agressão e carece de alternativas para impor limites.

Pesquisa do Unicef aponta falta de apoio para educar crianças sem violência

A falta de alternativas para lidar com birras e impor limites aparece entre os principais fatores associados ao uso de castigos físicos contra crianças, segundo levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A pesquisa ouviu 214 pessoas em regiões marcadas por vulnerabilidade e violência e teve foco maior na primeira infância, até os 6 anos de idade.

Andrea*, de 32 anos, conta que tenta agir de outra forma com o filho, de 6. Enquanto esperava um ônibus em uma avenida no centro de Brasília, ela segurava a mão do menino, que chorava porque queria continuar brincando com os amigos. Mãe solo e autônoma, disse que conta até mil para controlar a própria reação diante das birras e afirmou que não pretende bater nele.

Ela também relatou ter levado tapas em casa durante a infância e a adolescência, principalmente do pai. A experiência, segundo Andrea, reforça sua decisão de não repetir esse padrão.

Palmada ainda é separada do espancamento

O estudo identificou que alguns pais, mães e cuidadores não classificam a palmada como violência. Para eles, bater pode ser uma maneira de educar ou disciplinar, enquanto o espancamento é visto como uma prática diferente e inaceitável.

Luiza Teixeira, pesquisadora de Proteção à Criança do Unicef no Brasil, afirmou: “As famílias sequer consideram o tapa ou a chinelada como violência”. Ela disse que a distinção é influenciada por normas sociais que continuam legitimando a violência como forma de educação.

O levantamento reuniu 123 entrevistados no Rio de Janeiro, nas regiões da Grande Pavuna e da Grande Jacarepaguá; 37 no Recife, no bairro do Ibura; e 54 em Manaus, na Colônia Antônio Aleixo e na comunidade Parque das Tribos. Participaram pais, cuidadores e lideranças comunitárias.

A pesquisa também apontou que faltam repertório e orientação para que os adultos disciplinem sem violência. Em muitos casos, as decisões são tomadas durante momentos de emoção, seguidas de arrependimento. O Unicef identificou ainda dificuldades para que os serviços públicos alcancem as famílias e falta de capacitação dos profissionais da rede de proteção.

A lei Menino Bernardo, conhecida como Lei da Palmada, tem 12 anos de existência e integra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criado em 1990. Para Luiza, a legislação é avançada, mas pouco conhecida pelas famílias. A pesquisadora defende uma comunicação mais eficiente com os pais e ações preventivas para evitar a violência antes que ela aconteça.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, no ano passado, mais de 60 mil casos de maus-tratos ou lesão corporal em contexto de violência doméstica contra crianças e adolescentes foram registrados no Brasil. O número foi 106% maior que em 2024.

Orientação começa na prevenção

Entre as recomendações do estudo está o fortalecimento da prevenção, com apoio aos profissionais da rede de proteção para que atuem antes dos casos, e não apenas depois das ocorrências. A entidade também defende campanhas que ensinem maneiras de estabelecer limites sem violência e que considerem a realidade de territórios mais vulneráveis.

A psicóloga infantil Mara Gomes, que atua em Brasília, explica que, na primeira infância, a criança passa por um período intenso de desenvolvimento cognitivo, emocional, social e neuropsicológico. O cérebro ainda amadurece, especialmente nas áreas relacionadas ao controle dos impulsos, ao planejamento, à flexibilidade cognitiva e à autorregulação emocional.

Por isso, a criança pode sentir emoções intensas sem ter recursos para administrá-las sozinha. De acordo com Mara, quando os pais batem, a criança pode apresentar submissão ou agressividade. A psicóloga recomenda acolher os sentimentos, estabelecer limites e manter uma conversa honesta desde os primeiros anos.

Como lidar com a birra

Marília Paiva, pedagoga que atua em São Paulo com neurociência aplicada à educação, orienta professores a observar o conflito de maneira sensível. Para ela, o comportamento visto pelo adulto como birra também pode ser uma tentativa de comunicação, em uma fase na qual a criança ainda precisa de ajuda para se regular.

A educadora, que trabalha na Rede Fadelito de educação infantil, descreve quatro passos para esses momentos. Primeiro, o adulto precisa controlar as próprias emoções. Depois, deve acolher e validar o sentimento da criança. O terceiro passo é estabelecer o limite, reconhecendo o que ela sente, mas deixando claro que nem tudo é permitido. Por fim, quando a criança estiver pronta para ouvir, o adulto deve ensinar outra forma de agir.

Marília avalia que muitos adultos tentam conduzir o comportamento no momento em que a criança ainda não consegue escutar. Para ela, “A palmada não educa a criança e constrange, além de gerar medo”.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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