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Investigação liga laboratórios africanos a abastecimento de drogas na Austrália

Polícias investigam a atuação do cartel de Sinaloa em estruturas industriais na África do Sul e na Nigéria.

Investigação liga laboratórios africanos a abastecimento de drogas na Austrália

Uma apreensão de 39 quilos de metanfetamina em pó no aeroporto de Sydney levou as autoridades a investigar uma possível rota entre a África do Sul e a Austrália. A droga estava na bagagem de uma mulher de 32 anos que viajava em janeiro em um voo procedente do país africano.

A polícia australiana também confirmou ter identificado um aumento do interesse de cartéis mexicanos pelo mercado de drogas ilícitas da Austrália. As autoridades não informaram se a carga apreendida veio do laboratório de Swartruggens, mas investigadores sul-africanos analisam essa hipótese.

O material teria passado pelo porto de Durban, na costa leste da África do Sul, e a forma de embalagem foi considerada semelhante à usada na instalação desmantelada. O laboratório ficava em uma área rural, a duas horas e meia de Johannesburgo.

Estruturas industriais e conexão com Sinaloa

Swartruggens foi um dos sete laboratórios descobertos no sul da África nos últimos dois anos. Quando a operação ocorreu, em maio, a estrutura tinha capacidade estimada de cinco toneladas de metanfetamina por mês. Esse volume poderia representar mais de 1 bilhão de dólares (R$ 5,1 bilhões) em vendas no atacado na Austrália.

A investigação aponta que os laboratórios fazem parte de uma rede ligada ao cartel mexicano de Sinaloa, voltada principalmente aos mercados da Austrália e da Nova Zelândia. Nesses países, os preços da metanfetamina são entre 65 e 100 vezes superiores aos praticados nos Estados Unidos.

Devon Naicker, chefe da unidade sul-africana de combate aos entorpecentes, afirmou que a operação exige fluxo constante de produtos químicos e a retirada rápida da droga produzida. Segundo ele, isso envolve a chegada de várias cargas em caminhões.

O cartel usa o método P2P, baseado no composto fenil-2-propanona, que ainda não havia sido identificado na África do Sul. Os produtos químicos são importados da China e da Índia. Em agosto, uma operação na fronteira com o Zimbábue, com ajuda dos Estados Unidos, apreendeu cinco toneladas de solventes, catalisadores e reagentes.

Outro contêiner suspeito, que entrou pelo porto de Durban, levou os investigadores a cinco galpões em Midrand, entre Pretória e Johannesburgo. Os locais armazenavam produtos químicos e equipamentos. No início deste mês, a polícia desmontou outro laboratório em escala industrial em Klipvoor, a cerca de três horas ao norte de Johannesburgo.

Na avaliação de Naicker, o tamanho dos tanques encontrados em Klipvoor indicava a participação de organizações mexicanas. Cada equipamento comportava várias centenas de litros. A polícia também identificou estruturas fabricadas manualmente para a produção.

Mexicanos presos e propriedades isoladas

Cinco dos 13 detidos na operação de Swartruggens eram mexicanos e tinham formação em química. Eles chegaram à África do Sul em março de 2025 com vistos de turista válidos por três meses. Na imigração de Johannesburgo, disseram que visitariam parques naturais para observar animais.

Também foram presos dois moçambicanos, um zimbabuano e quatro sul-africanos. Três dos sul-africanos pertenciam à família africâner proprietária da reserva de caça onde o laboratório funcionava.

A propriedade havia sido comprada em 2024. Os pais da família respondiam a um processo relacionado ao aluguel de terrenos usados na produção ilegal de mandrax, um sedativo destinado ao mercado local.

A polícia afirma que os laboratórios costumam ser instalados em áreas isoladas, mas próximas das principais estradas. Naicker disse que os precursores usados na fabricação produzem um odor que pode ser percebido a quilômetros de distância quando o vento sopra na direção certa.

Desde 2024, 16 mexicanos foram detidos na África do Sul. O primeiro laboratório com características semelhantes foi localizado em 2020, em Marble Hall, ao nordeste de Johannesburgo.

Investigadores também apuram se mexicanos enviados para instalar as estruturas permanecem no país para operar os locais ou apenas treinam moradores. Em um laboratório desmontado em 2024, a 35 quilômetros de Johannesburgo, os estrangeiros teriam ensinado a produção a pessoas da região.

Expansão para a Nigéria

A Nigéria apresenta um padrão parecido. Em maio, as autoridades desmontaram o maior laboratório de metanfetamina já encontrado no país, em uma área rural do estado de Ogun. Três mexicanos e sete nigerianos foram detidos. Em junho, outro mexicano foi preso em uma operação no estado de Oyo.

Femi Babafemi, porta-voz da Agência Nacional de Combate às Drogas, afirmou que a capacidade das duas instalações indicava uma produção voltada ao mercado internacional, principalmente Europa, Sudeste Asiático e Oceania.

O laboratório de Ogun ficava em uma floresta entre Abidagba e Iroto. Os moradores disseram que esperavam a construção de um conjunto habitacional e a pavimentação da estrada local, mas se decepcionaram ao descobrir a finalidade da área.

Desde 2016, 28 laboratórios de metanfetamina foram desmantelados na Nigéria; em cinco deles havia envolvimento de mexicanos, segundo Babafemi. Ele afirmou que esses grupos já haviam enviado pessoas para ensinar técnicas a colaboradores locais e que, depois da saída dos estrangeiros, alguns desses colaboradores assumiram a produção.

Quatro mexicanos foram detidos neste ano em operações contra laboratórios de metanfetamina na Nigéria. Na África do Sul, autoridades suspeitam que a retomada da atuação dos cartéis no continente esteja relacionada à pressão exercida pelos Estados Unidos e por governos latino-americanos.

A diretora da Iniciativa sobre Grupos Armados Não Estatais da Brookings Institution, Vanda Felbab-Brown, afirmou que a expansão para fora do principal reduto dos cartéis exige preocupação. Para ela, a África oferece áreas remotas, portos e aeroportos por onde a droga pode circular, além de condições favoráveis à corrupção.

Mercado local e trânsito por Moçambique

Austrália e Nova Zelândia já haviam identificado o fornecimento de drogas a núcleos locais da gangue de motociclistas Comancheros por grupos ligados ao cartel de Sinaloa. Um relatório de 2024 elaborado pela DEA e pelas polícias dos dois países classifica a metanfetamina como a droga ilícita mais consumida depois da cannabis na região.

Em Moçambique, antes visto apenas como ponto de trânsito, dois mexicanos foram presos no aeroporto de Maputo em abril. Depois, investigadores encontraram na casa de um suposto cúmplice local uma grande quantidade de produtos químicos usados na fabricação da droga.

Antonio De Vivo, chefe do escritório de Maputo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, afirmou: "Com frequência, os intermediários são pagos com drogas, e não apenas com dinheiro".

Paulo Ferrao, de 27 anos, que trabalha em um centro de desintoxicação perto de Maputo, relatou aumento dos atendimentos relacionados à metanfetamina. A produção e o trânsito em grande escala preocupam autoridades pelo possível crescimento do consumo no continente africano.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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