CAMPO GRANDE — O Hospital de Câncer Alfredo Abrão recebeu um novo tomógrafo que pode reduzir de até 15 para cerca de três minutos o tempo de determinados exames. A expectativa é ampliar a capacidade da unidade, atualmente estimada em 1,6 mil tomografias por mês.
Avaliado em R$ 2,15 milhões, o equipamento chegou nesta segunda-feira (21) e já está sendo montado. Os primeiros exames devem ser realizados na primeira quinzena de outubro, depois da instalação e do treinamento da equipe.
O aparelho, da marca Canon e modelo Aquilion Serve SP, será usado desde a investigação inicial da doença até o planejamento de cirurgias, radioterapia e outros procedimentos. Também deverá auxiliar no acompanhamento da resposta dos pacientes ao tratamento.
Segundo Cláudio Melgar de Andrade, coordenador do setor de Radiodiagnóstico, o equipamento ficará em uma sala humanizada, preparada para tornar o procedimento menos desconfortável. “Com o novo tomógrafo, esse tempo pode cair para dois ou três minutos”, afirmou.
A unidade é referência no atendimento oncológico pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e recebe aproximadamente 600 pacientes por dia. A intenção é dobrar a quantidade de tomografias, mas a ampliação também dependerá dos recursos disponíveis para custear os procedimentos.
Investimentos em tecnologia
O tomógrafo faz parte de um pacote de R$ 18,25 milhões destinado à renovação do parque tecnológico do hospital. A aquisição foi viabilizada pelo deputado federal Geraldo Resende junto ao Ministério da Saúde.
Entre os equipamentos previstos está um acelerador linear para radioterapia. O aparelho chegou ao hospital em maio e deve começar a atender pacientes em janeiro de 2027. Antes disso, é preciso concluir a construção do bunker onde será instalado.
De acordo com Sueli Lopes Teles, presidente do hospital, a nova tecnologia poderá diminuir a quantidade de sessões em alguns tratamentos. A redução dependerá do tipo de câncer, da localização do tumor e do protocolo definido pela equipe médica.
Em 2025, o Alfredo Abrão realizou 18.112 sessões de radioterapia em 1.269 pacientes. O coordenador operacional, Luciano Gasparini Nachif, explicou que o acelerador permite direcionar a radiação com maior precisão e, em casos indicados, aplicar doses maiores em cada sessão.
A modernização também prevê um aparelho de ressonância magnética e um PET-Scan. O hospital foi selecionado pelo Ministério da Saúde para receber o PET-Scan, mas a liberação depende da conclusão de etapas administrativas do governo federal.
Menos deslocamentos para tratamento
Os investimentos buscam reduzir a necessidade de viagens de pacientes do SUS para outros estados em busca de exames e tratamentos de alta complexidade. Moradores do interior enfrentam deslocamentos que podem começar de madrugada e terminar à noite.
Carlos Nardo, de 74 anos, viaja diariamente de Dois Irmãos do Buriti para tratar um câncer de próstata em Campo Grande. Depois de cinco meses de tratamento, ele já havia realizado 25 das 28 sessões de radioterapia previstas.
Eliezer Candelário, de 42 anos, moradora de Jardim, também precisa viajar todos os dias para Campo Grande. Em tratamento contra um câncer no colo do útero, ela havia feito dez das 25 sessões de radioterapia previstas. O tratamento inclui ainda cinco sessões de quimioterapia.
A proposta de regionalização da assistência oncológica também prevê um serviço de oncologia no Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), em Dourados. Em Três Lagoas, estão previstos o fortalecimento do atendimento no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora e a implantação da radioterapia.
Na Capital, os investimentos incluem a ampliação da radioterapia no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e a modernização da assistência do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian.








