RIBEIRÃO PRETO — O médico residente Guilherme Lourenço Monteiro foi afastado temporariamente das atividades no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP). A decisão foi informada pelo hospital nesta sexta-feira, 25, após a publicação de uma imagem de prontuário usada para ironizar um paciente com sobrepeso.
A Comissão de Residência Médica (Coreme) e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto informaram que abriram um processo interno para apurar o caso sob os aspectos éticos. A investigação envolve a Procuradoria Jurídica e a chefia de gabinete da instituição. A conta administrada pelo médico na rede social X foi cancelada.
O hospital afirmou que a identidade do paciente não foi exposta, mas classificou a postagem como inadequada e incompatível com a postura profissional esperada. A instituição também reafirmou o compromisso com a ética, o sigilo e o cuidado humanizado.
Como foi a publicação
A postagem foi feita em 21 de setembro e mostrava a tela de um prontuário com dados de peso, altura e índice de massa corporal (IMC). O médico escreveu: “Isso aqui é uma amostra pra vocês entenderem com o que lidamos aqui no Hospital das Clinicas”. O conteúdo alcançou 130 mil visualizações antes de ser apagado.
Na quinta-feira (24), o HCFMRP-USP informou ter tomado conhecimento do caso e disse que adotaria providências para evitar a repetição da conduta. Os residentes médicos são avaliados continuamente em aspectos atitudinais e de profissionalismo e participam de curso obrigatório sobre segurança e cuidado com os pacientes.
A defesa de Guilherme informou que ele presta os esclarecimentos necessários e colabora com a apuração. O hospital afirmou que os residentes recebem orientações sobre aspectos éticos e jurídicos durante a recepção nos programas de residência médica e multiprofissional.
Possíveis implicações
O Conselho Federal de Medicina (CFM) declarou que não pode se manifestar sobre casos concretos por atuar como instância recursal. Se houver julgamento pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) e recurso ao CFM, uma manifestação antecipada poderia invalidar o processo.
O advogado Marcelo Tesk afirmou que peso, altura e IMC são dados pessoais sensíveis protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo ele, o prontuário só pode ser divulgado ao paciente ou com autorização prévia e expressa. A responsabilização, caso seja constatado uso indevido dos dados, pode ocorrer nas esferas administrativa, ética, penal e civil.








