LOUISIANA — Uma rede que oferecia assistência jurídica a menores migrantes nos Estados Unidos perdeu o contrato administrado pelo Acacia Center for Justice em julho de 2026. A organização coordenava cerca de cem entidades, responsáveis por atender crianças desacompanhadas ou separadas dos pais detidos por agentes de imigração.
A interrupção ocorreu depois que o governo de Donald Trump deixou de fazer pagamentos e condicionou o repasse de recursos à entrega de informações confidenciais sobre aproximadamente 20.000 crianças atendidas. A vice-diretora do Projeto Florence, Roxana Avila-Cimpeanu, afirmou que a rede não forneceu os dados.
Audiências sem representação
Em agosto, Avila-Cimpeanu encontrou um bebê de um ano em um tribunal de imigração, acompanhado da mãe, de 17 anos. O juiz pediu que a adolescente solicitasse asilo para ela e para o filho. Sem advogado, os dois ficaram expostos à deportação.
Durante a audiência, a criança caminhou pelo tribunal, jogou um brinquedo que quase atingiu o promotor e chorou enquanto a mãe tentava acompanhar o processo. “O bebê corria por toda parte, jogando brinquedos e chorando, e a mãe tinha que se concentrar nisso e na audiência”, contou Avila-Cimpeanu.
Ela explicou que menores desacompanhados podem ser levados a tribunais de imigração e precisam de advogados familiarizados com esse tipo de processo e, quando necessário, com o idioma da criança. Em 2018, o Projeto Florence acompanhou um bebê de poucos meses em uma situação semelhante. Na ocasião, foi necessário declarar que a criança negava as acusações e desejava deixar os Estados Unidos voluntariamente.
Disputa pelo atendimento
Em 2025, o governo tentou cortar os recursos do Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR) destinados a organizações que prestavam serviços jurídicos a menores migrantes. Uma juíza federal bloqueou a medida após uma ação apresentada por entidades afetadas e determinou a continuidade do atendimento, protegido por uma lei de 2008.
Depois do fim do contrato com o Acacia Center for Justice, o governo anunciou que pretendia encaminhar os casos ao Burke Law Group, cuja fundadora trabalhou no primeiro mandato de Trump. A firma retirou a candidatura. A administração também recorreu à Our Rescue, fundada por Tim Ballard, mas o contrato foi pausado após questionamentos no Congresso.
Em carta enviada ao Departamento de Saúde, legisladores democratas disseram que a proteção legal das crianças não deveria ser usada em favorecimentos políticos e demonstraram preocupação com a escolha de organizações consideradas não qualificadas para a tarefa.
O ORR afirmou que, em agosto, repassou recursos para o restante do ano ao Comitê Americano para Refugiados e Imigrantes (USCRI). Segundo o órgão, a entidade participa de 100% das audiências e ampliou serviços de orientação, consultas jurídicas e representação direta.
Bilal Askaryar, diretor de comunicação da Acacia, disse que o USCRI tem cerca de cinquenta advogados, enquanto a rede administrada pela organização contava com 800. Para ele, o problema envolve as 20.000 crianças que chegaram aos Estados Unidos em busca de segurança.








