CAMPO GRANDE — Uma criança de 11 anos com queimaduras de terceiro grau em 60% do corpo recebeu pele doada do Paraná em uma cirurgia realizada na Santa Casa de Campo Grande. O material foi usado como curativo biológico para cobrir o tronco, os braços e as coxas, criando uma barreira temporária contra infecções e perda de líquidos.
O procedimento durou duas horas, envolveu 15 profissionais e foi realizado na última sexta-feira (dia 18). A pele chegou de avião do BPH-HUEM (Banco de Pele Humana do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie), em Curitiba (PR), com apoio da Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul.
Como funciona o tratamento
A cirurgiã plástica Renata Ferro explicou que, em casos graves, o tratamento padrão é retirar pele de uma área saudável do próprio paciente para fazer o enxerto. Neste caso, porém, a extensão das queimaduras deixou pouca área disponível para a doação.
“Então nós utilizamos uma estratégia temporária chamada enxerto alógeno”, disse Renata. Segundo a médica, a pele de outra pessoa não permanece de forma definitiva: ela deve ser rejeitada em algumas semanas, enquanto ajuda a reduzir a dor e a perda de líquidos até que a criança possa receber a própria pele.
A queimadura de terceiro grau destrói todas as camadas da pele. De acordo com o médico residente da cirurgia plástica Henrique Dorsa, a cobertura do corpo também ajuda a evitar a perda de proteínas e a controlar a temperatura.
“Não é experimental, é padrão ouro do tratamento. Mas é a primeira vez que faz no Estado”, afirmou Henrique. A médica residente Mabiane Antoniolli também participou da cirurgia.
O tratamento deve continuar por meses, e a criança permanece internada no CTI (Centro de Terapia Intensiva). Conforme divulgado em 4 de agosto, o menino sofreu queimaduras em cerca de 85% do corpo após um incêndio envolvendo álcool.
A mãe contou, no dia 6 de agosto, que ele chegou à UPA Santa Mônica acordado e relatou que outro menino havia jogado álcool nele e ateado fogo. O adolescente investigado apresentou outra versão à Polícia Civil: afirmou que os dois brincavam com álcool quando as chamas atingiram um galão de combustível, provocando uma explosão.







