A aproximação de banhistas e embarcações impediu que um peixe-boi deixasse a água para respirar na Praia do Cupe, em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife. O animal apareceu no último sábado (27), e a movimentação foi registrada por frequentadores da área.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram guias e banhistas ao redor do mamífero. Em diferentes momentos, pessoas encostam nele e se apoiam sobre seu corpo como se fosse uma prancha. Embarcações também chegam perto e passam por cima do peixe-boi. O cerco limita os deslocamentos do animal.
Orientação para o contato com o animal
O Manual de Boas Práticas de Interação com Sirênios no Brasil recomenda que as pessoas não toquem em peixes-bois. O documento foi elaborado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Apesar de ter peixe no nome, o animal é um mamífero e precisa sair da água para respirar. “Ele tem uma respiração pulmonar, então, precisa sair da água para poder respirar. E é nesse momento que você pode asfixiar o animal”, afirma o biólogo Maia.
De acordo com Maia, apoiar-se sobre o peixe-boi pode impedir sua saída da água e provocar sufocamento. O especialista também explica que o toque pode retirar a proteção natural da pele e deixar o animal exposto a microrganismos, como bactérias, o que aumenta o risco de infecções.
“É importante também que todos saibam que animais silvestres são protegidos pela legislação ambiental. Então, você não pode ficar mexendo no animal”, diz Maia.
O manual informa que peixes-bois costumavam aparecer com frequência no litoral pernambucano, mas a ação humana sobre o meio ambiente contribuiu para a redução desses registros na região. Para Maia, o comportamento tranquilo do animal pode estar relacionado a um contato anterior com seres humanos. Segundo o biólogo, a interação também pode levar o peixe-boi à morte.








