BOLÍVIA — José Armando Urioste assumiu interinamente o comando do Ministério Público boliviano após o Congresso suspender Roger Mariaca, que está preso desde a última quarta-feira. A decisão foi tomada neste sábado (3), depois de uma sessão de emergência e da aprovação de uma mudança na legislação.
Mariaca chefiava o Ministério Público desde 2024 e é investigado pela Justiça boliviana por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e organização criminosa. Ele nega as acusações. Os Estados Unidos também o acusaram de supostos vínculos com o narcotráfico e retiraram seu visto nesta semana, junto com os de outros altos funcionários e empresários da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.
Nomeação após mudança na lei
A alteração legal permitiu suspender o procurador-geral diante da existência de uma acusação criminal e da decretação de prisão preventiva. Na noite de sexta-feira, o presidente Rodrigo Paz promulgou a lei, e os parlamentares retomaram a sessão para decidir o substituto.
A escolha de Urioste recebeu 113 votos a favor e 11 contra. A votação ocorreu após negociações e indicações sem consenso que avançaram da noite de sexta-feira até as 6h30 locais (07h30 de Brasília). O presidente do Senado, Diego Avila, declarou: "Há mais de dois terços, portanto, o doutor Urioste foi escolhido".
Urioste tem trajetória como juiz e acadêmico no departamento de Beni, no nordeste do país. Ao assumir, afirmou que pretende investigar a instituição, mas defendeu a presunção de inocência e a objetividade.
Prisões ligadas à investigação
Horas depois da prisão de Mariaca, o Ministério Público havia nomeado Luis Montaño, servidor mais antigo da instituição, como interino. O governo de Paz não reconheceu a designação e anunciou que Montaño seria preso por usurpar funções e dificultar as investigações.
Segundo o Ministério do Governo, Mariaca teria dado proteção ao narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, capturado pela polícia em março deste ano com ajuda da DEA e enviado aos Estados Unidos. Outras 13 pessoas foram presas na última quarta-feira: três procuradores, seis funcionários do Ministério Público e quatro indivíduos suspeitos de tentar retirar cerca de 300.000 dólares (R$ 1,5 milhão) da residência de Mariaca, escondidos em uma ambulância.








