O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, após uma rápida evolução da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A morte foi comunicada pela esposa, Mila Seidl, nas redes sociais.
A enfermidade é rara, neurodegenerativa e provoca a deterioração progressiva do sistema nervoso. O quadro pode comprometer movimentos, visão, fala, memória e outras funções. Não havia tratamento comprovado capaz de interromper ou reverter sua evolução.
Criador do canal Aviões e Músicas, Lito tinha mais de 3,7 milhões de inscritos no YouTube em 2026. Ele também acumulava mais de 37 anos de atuação na aviação e mais de 15 anos de produção de conteúdo na internet.
Carreira na aviação e na internet
Nascido em Natal (RN), em 1967, Joselito Geraldo de Sousa começou a trabalhar na aviação ainda jovem. Ao longo da carreira, passou por Varig, Transbrasil e United Airlines. Foi mecânico de aeronaves, supervisor e especialista em segurança aérea e fatores humanos, além de piloto privado.
Em 2004, criou o blog Aviões e Músicas para compartilhar informações sobre o setor. O projeto chegou ao YouTube em 2010 e passou a abordar funcionamento de aeronaves, manutenção, turbulência, segurança de voo e acidentes aéreos.
O canal cresceu especialmente durante a pandemia. Lito ficou conhecido por transformar temas técnicos e procedimentos de segurança em explicações acessíveis. Parte do trabalho também era dedicada a pessoas que tinham medo de voar. Segundo informações divulgadas pelos canais ligados ao projeto, sua metodologia havia ajudado milhares de pessoas.
Diagnóstico e busca por tratamento
A doença foi descoberta em 2026, depois de uma sequência de problemas de saúde. Antes do diagnóstico da DCJ, Lito havia descoberto um câncer de próstata e se preparava para tratar a doença. Nesse período, começou a apresentar perda de movimentos e coordenação, inicialmente no braço e na mão esquerda. O quadro depois afetou a visão e a capacidade de locomoção.
A confirmação da doença foi divulgada por Mila em agosto. Mesmo diante do diagnóstico, Lito decidiu falar publicamente sobre o assunto. Em um vídeo gravado ao lado da esposa, afirmou: “Eu não tenho medo de morrer. Não tenho porque eu vivi uma vida boa, uma vida que eu nunca fiz mal pra ninguém”.
O filho do casal, que tinha 7 anos à época, estava entre as principais preocupações do influenciador. Lito também demonstrou preocupação com a continuidade do Aviões e Músicas e da escola criada pelo casal.
Depois do diagnóstico, a família procurou alternativas experimentais no exterior, incluindo estudos nos Estados Unidos. O Ministério da Saúde informou que fazia contatos com universidades internacionais para tentar viabilizar uma possibilidade de tratamento.
Em setembro, a Anvisa permitiu que Lito recebesse, em caráter excepcional, o ALN-6457, medicamento experimental da Regeneron Pharmaceuticals. O pedido partiu do Hospital Israelita Albert Einstein, onde ele era acompanhado, após a aceitação do paciente em um programa de uso compassivo.
A autorização não comprovava a eficácia do medicamento. A substância ainda estava em fase pré-clínica, sem estudos clínicos concluídos que demonstrassem resultados contra a doença de Creutzfeldt-Jakob.
Nos meses finais, a família acompanhou a progressão do quadro e organizou uma rotina de cuidados. Lito deixou o hospital no início de setembro e passou a receber atendimento em casa, em uma estrutura adaptada às suas necessidades. Poucas semanas antes da morte, Mila desmentiu informações falsas sobre uma suposta melhora e afirmou que o estado de saúde dele permanecia grave.
Em uma despedida publicada nas redes sociais, a esposa escreveu: “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você”.







