O CD deixou de ser apenas um formato para ouvir música e passou a ocupar outro lugar na vida de jovens que cresceram com o streaming. Para colecionadores, os discos guardam capas, encartes, identidades visuais e lembranças que não aparecem da mesma forma nas plataformas digitais.
A estudante Anna Abreu, de 19 anos, começou a se interessar por mídias físicas dentro de casa. A mãe mantém uma coleção de discos de vinil, enquanto a irmã reunia CDs e LPs. A convivência com esses objetos, somada ao gosto por música, despertou nela a vontade de ter versões materiais dos álbuns preferidos.
Um dos itens mais especiais da coleção é “De Primeira”, de Marina Sena, recebido de amigas no aniversário de 19 anos. O presente também registra uma experiência compartilhada: Anna já acompanhava o trabalho da cantora quando convidou as amigas para um show em Campo Grande. Elas conheciam poucas músicas, mas saíram da apresentação interessadas no repertório.
Para a estudante, o CD preserva elementos que o acesso digital não oferece da mesma maneira. A capa e o encarte ajudam a observar a identidade visual do álbum e a entender as faixas como partes de um trabalho completo. A coleção também permite contato com períodos que ela não viveu diretamente, já que a música pode retratar o momento em que foi lançada.
A jornalista Carolina Gimenes, de 28 anos, associa os CDs às memórias da infância e da adolescência. Ela cresceu cercada pelos discos dos pais, dos tios e da avó, que ouvia Roberto Carlos em um discman. A coleção acompanhou diferentes fases, com cópias compradas em feiras, discos gravados no computador e lançamentos de artistas como Xuxa, Rouge, Paramore e Katy Perry.
Discos que guardam histórias
Alguns itens mantidos por Carolina são lembrados mais pelas histórias do que pelo estado de conservação. “Blá Blá Blá”, do Rouge, lançado em 2004, era o único disco original que ela e a irmã tinham na infância. A capa coberta de glitter era tratada como uma relíquia, até Carolina derrubar o CD e quebrar a caixa.
Outro exemplar marcante é “Meteoro”, de Luan Santana, recebido depois que Carolina participou de um sorteio de revista. Ela enviou um e-mail sem esperar ganhar e, algum tempo depois, recebeu uma carta com o CD.
Hoje, Carolina compra menos discos, mas mantém uma lista de títulos que gostaria de adquirir e até gostaria de ter um discman. Para ela, os CDs também podem ser expostos em casa e apresentados no futuro às crianças da família. “Para mim, o CD hoje vai além da música, ele pode ser como um porta-retrato ou uma obra de arte com a qual você se identifica”, afirma.
A jornalista relaciona esse interesse ao retorno de tendências antigas. Depois da retomada dos vinis e do surgimento de novos lançamentos, ela acredita que os CDs ainda podem viver uma nova fase. O formato, que perdeu espaço no consumo cotidiano, continua reunindo jovens interessados em memória, decoração e coleção.








