CAMPO GRANDE — Motos elétricas, ciclomotores e autopropelidos estão ganhando espaço nas ruas da capital sul-mato-grossense. A promessa de reduzir os gastos com combustível atrai pessoas que usam o veículo para trabalhar, estudar ou fazer deslocamentos diários. Antes da compra, porém, é preciso verificar a classificação, as exigências legais e os cuidados de conservação.
A aparência ou o nome comercial, como scooter, não define se o veículo precisa de habilitação, registro ou emplacamento. O que vale são as características técnicas, principalmente potência, velocidade, largura e distância entre eixos.
O que muda em cada categoria
Pela Resolução Contran 996/2023, os autopropelidos de duas rodas devem ter potência nominal máxima de até 1.000 W, velocidade máxima de fabricação de até 32 km/h, largura de no máximo 70 centímetros e distância entre eixos de até 130 centímetros. Quando atendem a esses critérios, ficam dispensados de registro, licenciamento, emplacamento e habilitação.
Se o veículo ultrapassar esses limites, poderá ser classificado como ciclomotor, motocicleta ou motoneta, de acordo com suas especificações. Os ciclomotores elétricos podem ter potência máxima de até 4.000 W e velocidade máxima de fabricação de até 50 km/h. Nesse caso, o condutor precisa da ACC, a Autorização para Conduzir Ciclomotor, ou da CNH na categoria A. O veículo também deve ser regularizado.
Para modelos que superam os limites dos ciclomotores, a classificação pode ser de motocicleta, motoneta ou triciclo. Motocicletas e motonetas exigem CNH na categoria A, registro, licenciamento e emplacamento.
A diferença entre os modelos também costuma aparecer na autonomia, na potência e na capacidade de carga. A economia no transporte depende da frequência de uso, do custo da recarga e das despesas com manutenção.
Relatos de quem usa
A fotógrafa Luciana Nassar, de 52 anos, trocou o carro por uma moto elétrica há 3 meses. Além de buscar economia, ela diz que encontrou no veículo uma forma de realizar um desejo antigo. “Na minha adolescência meu sonho era ter uma Mobilete, meus pais não permitiram, hoje com 52 anos estou me permitindo viver tudo que não vivi”, afirmou.
Luciana costuma transportar a filha Maria Vitória, de 14 anos. As duas usam capacete, e a fotógrafa também relata preocupação com a convivência com os motoristas durante os trajetos. A recarga é feita no trabalho, onde há estrutura para abastecer veículos elétricos. Quando chove ou faz frio, ela opta por carros de aplicativo.
A estudante Nayane Aleixo, de 21 anos, comprou uma motinha elétrica depois de temer fazer a pé o caminho até a faculdade durante uma onda de furtos na região. O investimento foi alto, mas ela avalia que o veículo ficou mais econômico na comparação com outras formas de transporte.
Em casa, a bateria é carregada em tomadas comuns, em um processo que demora de 5 a 6 horas. Nayane afirma que não percebeu aumento significativo na conta de energia, mas teve problemas ao deixar a motinha exposta ao sol e à chuva. “Já tive problema porque ela ficou muito tempo tomando sol e chuva sem proteção, então algumas peças dela ressecaram”, contou.
Ela também relata que as condições das vias interferem no conforto e podem afetar a conservação do veículo.
Mercado e manutenção
Ronaldo Gaby, de 54 anos, mantém há 5 anos uma loja de mobilidade elétrica no Carandá Bosque. De acordo com ele, o público principal é formado por jovens entre 18 e 35 anos que procuram uma alternativa para chegar ao trabalho e à faculdade.
O modelo mais vendido na loja é a scooter X13, que tem potência de 1.000 W e chega a 32 km/h, segundo Ronaldo. O equipamento conta com bateria de lítio, bluetooth, marcha à ré, suporte de celular com carregador e capacidade para 200 kg. A loja comercializa, conforme o proprietário, cerca de 30 veículos por mês.
A manutenção deve ser feita em oficinas especializadas ou com o suporte da loja. Bateria, módulo e motor fazem parte do sistema elétrico e precisam ser avaliados por profissionais capacitados.
Gladston Meneses, de 32 anos, é dono de uma oficina especializada há quase 5 anos. A partir dos atendimentos, ele aponta o uso inadequado, especialmente nos procedimentos de carga e descarga das baterias, como parte dos problemas encontrados. O estabelecimento recebe, em média, 40 veículos por mês para manutenção, segundo o proprietário.
Onde é permitido circular
A dispensa de habilitação para bicicletas elétricas e autopropelidos que se enquadram na regulamentação não libera a circulação em qualquer espaço.
Em 18 de junho, a Agetran anunciou uma autorização experimental para que bicicletas e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos dentro dos critérios federais compartilhem ciclovias e ciclofaixas. A medida tem validade inicial de 180 dias.
A Prefeitura orienta que a velocidade seja adequada às condições da via e ao fluxo de pessoas. A permissão vale para os equipamentos enquadrados na norma, não para todos os veículos comercializados como motos elétricas ou scooters.
Financiamento
A Caixa Econômica Federal oferece, pelo Move Brasil, financiamento de veículos elegíveis para entregadores de aplicativos e mototaxistas. A contratação depende das regras do programa e da análise de crédito.
A linha inclui veículos novos de até R$ 30 mil, entre eles bicicletas elétricas de até 1.000 W e motos elétricas de até 7.500 W, desde que produzidos no Brasil. Antes de contratar, os interessados precisam conferir se o veículo e o modelo atendem aos critérios da Caixa.







