CAMPO GRANDE — A greve dos bancários fechou agências da Caixa Econômica Federal em Campo Grande e no interior de Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (10). Na capital, 19 unidades aderiram à paralisação, que ocorre por tempo indeterminado.
Antonieta da Silva, de 63 anos, foi a uma agência para recuperar a senha de transação e pagar contas pelo aplicativo. Como está sem cartão, ela precisava de atendimento presencial para atualizar o acesso à conta, mas encontrou as portas fechadas. “É um transtorno”, resumiu.
De acordo com Rubens Jorge Alencar, secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, todas as agências da Caixa estão fechadas na capital e no interior do estado. Com isso, serviços que dependem de funcionários ficam suspensos.
Os caixas eletrônicos seguem funcionando parcialmente para operações como saque e depósito. No entanto, não haverá funcionários para repor o dinheiro disponível, que pode acabar durante a paralisação. Algumas operações também podem ser feitas em casas lotéricas, mas pagamentos dependem do cartão. Serviços relacionados a penhor não estão disponíveis nesses estabelecimentos.
A paralisação afeta atendimentos ligados a benefícios sociais, ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a programas e a convênios. “O atendimento ao público fica prejudicado nesse momento”, afirmou Alencar.
Motivos da greve
A decisão foi tomada após a rejeição da proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico e da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Em assembleia virtual realizada nos dias 3 e 4 de setembro, 87,59% dos participantes votaram contra o acordo.
Os trabalhadores reivindicam a reposição da inflação mais 5% de ganho real. A proposta previa ganho real de 0,6% sobre salários, vales e outras verbas econômicas. O reajuste salarial, as condições do Saúde Caixa e a falta de funcionários nas agências estão entre os pontos de impasse.
Gílson Salustiano, de 50 anos, também foi surpreendido ao procurar uma agência para tentar contratar um empréstimo. Ele pretendia usar o dinheiro para pagar despesas relacionadas à mudança de imóvel e só descobriu a greve ao chegar ao local.
Segundo o sindicato, a proposta foi rejeitada em 128 bases sindicais no país. Em 93 delas, os empregados decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Neide Rodrigues, presidente da entidade, está em São Paulo (SP) para uma nova rodada de negociações.








