MATO GROSSO DO SUL — Anúncios de carros com preços muito abaixo do mercado estão sendo usados em um golpe que engana compradores e proprietários ao mesmo tempo. O criminoso copia fotos e informações de uma oferta verdadeira, publica o veículo por um valor menor e conduz uma negociação paralela. Em seguida, convence o comprador a fazer um Pix para uma conta de terceiro, sem que o carro seja entregue.
O delegado Edson Caetano, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, explicou o esquema em vídeo e orientou os consumidores. Primeiro, o estelionatário demonstra interesse no veículo anunciado pelo proprietário e pede que a publicação seja retirada do ar. Com os dados e as imagens em mãos, ele cria novos anúncios em outras plataformas.
A pessoa interessada acredita que fala diretamente com o dono. Para o comprador, o golpista pode afirmar que o carro está registrado em nome de outra pessoa. Ao proprietário, diz que quem vai visitar ou retirar o veículo é um parente, amigo ou funcionário do suposto comprador. Os dois também são instruídos a não conversar sobre o preço.
“Para ambos, diz que não é para falar sobre o valor que está sendo negociado o veículo”, explicou Caetano.
Assim, o comprador pode avaliar o automóvel verdadeiro sem perceber a fraude, enquanto o dono pensa estar recebendo alguém ligado ao interessado. O golpe costuma ser descoberto no pagamento: o dinheiro vai para a conta indicada pelo criminoso, e o proprietário não recebe o valor esperado.
Casos registrados
Nesta sexta-feira (11), uma mulher de 26 anos perdeu R$ 65 mil ao tentar comprar um Hyundai Creta anunciado no Marketplace, em Paranaíba, a 410 quilômetros de Campo Grande. O carro chegou a ser transferido para o nome dela, mas o vendedor saiu do local antes da entrega. Os pagamentos foram feitos em duas operações, de R$ 23 mil e R$ 42 mil, destinadas a contas diferentes.
Em agosto, um homem de 47 anos teve prejuízo de R$ 63,5 mil após encontrar na internet um veículo anunciado em Dourados, a 250 quilômetros da Capital. A negociação ocorreu por aplicativo de mensagens. O criminoso chegou a usar outro número para se passar por um familiar da vítima e confirmar uma vistoria. Depois disso, o comprador realizou cinco transferências via Pix para duas contas.
Uma mulher de 41 anos perdeu R$ 18,5 mil em um caso registrado em 8 de agosto. O carro havia sido anunciado em Campo Grande, e ela pediu que um familiar verificasse o veículo. Porém, conversou com um golpista que usava a foto desse parente no aplicativo de mensagens. A vítima fez três transferências via Pix, de R$ 8 mil, R$ 5 mil e R$ 5,5 mil. A fraude só foi percebida quando o familiar verdadeiro avisou que ainda não tinha visto o automóvel.
Em março, outra mulher de 26 anos perdeu R$ 11,6 mil ao tentar comprar um carro anunciado no Marketplace. O veículo estaria em São Gabriel do Oeste. Um suposto familiar confirmou por telefone que o automóvel estava em boas condições. A vítima enviou documentos pessoais, fez três transferências via Pix e uma TED e depois descobriu que o parente verdadeiro ainda não havia ido ao local.
Como evitar o prejuízo
A Polícia Civil orienta que o comprador converse diretamente com o proprietário e não envie dinheiro para uma conta de terceiro. Também é preciso conferir na própria conta bancária se o pagamento entrou, sem confiar apenas em comprovantes encaminhados pelo WhatsApp.
Quem perceber a fraude depois de transferir o dinheiro deve contestar a operação imediatamente pelo aplicativo do banco, registrar boletim de ocorrência e guardar comprovantes, conversas, números de telefone, anúncios e outros dados da negociação. No caso do Pix, o banco também pode ser acionado para solicitar o MED (Mecanismo Especial de Devolução), criado para tentar recuperar valores em situações de fraude.
A recomendação é desconfiar de ofertas muito abaixo do preço de mercado e confirmar, antes do pagamento, quem é o verdadeiro proprietário e qual pessoa ou empresa receberá o dinheiro.







