CAMPO GRANDE — A migração de gaúchos para Mato Grosso do Sul ganhou força na década de 1970 e levou ao estado costumes como a costela assada no fogo de chão, o chimarrão e o fandango. Em Campo Grande, dois Centros de Tradição Gaúcha mantêm essas práticas durante todo o ano, com maior movimentação em setembro, na Semana Farroupilha.
Josceli Pereira, secretário do CTG Tropeiros da Querência, saiu do Rio Grande do Sul com a família em 1976, quando tinha 14 anos. A mudança ocorreu em meio à busca por terras para a lavoura. “Viemos naquela euforia da terra. Vim porque tinha 14 anos e foi uma decisão da família”, relembra.
A família migrou para o então Mato Grosso, território que hoje corresponde a Mato Grosso do Sul. Josceli conheceu uma gaúcha no estado, se casou e teve dois filhos. Ele recebeu o título de cidadão sul-mato-grossense e afirma que encontrou na região a terra onde queria permanecer.
A chegada dos migrantes também influenciou a culinária e os encontros culturais. A costela preparada no fogo de chão é apontada por Josceli como um elo entre gaúchos e sul-mato-grossenses. O preparo envolve fazer o fogo ao redor da carne por três ou quatro horas, até que ela fique macia e saborosa.
Houve outras ondas migratórias, como a de 1940, mas a maior ocorreu na década de 1970. As terras mais baratas e a proximidade com o Rio Grande do Sul estimularam a mudança. São Gabriel do Oeste foi fundada por gaúchos, e os costumes continuaram entre os filhos das famílias que se estabeleceram no estado.
A Semana Farroupilha é realizada de 12 a 20 de setembro e encerra com o Dia do Gaúcho, celebrado no dia 20. A programação rememora a Guerra dos Farrapos, conflito ocorrido entre 1835 e 1845, motivado, entre outros fatores, pela insatisfação com a tributação do charque.
Durante os festejos, os Centros de Tradição Gaúcha acendem a Chama Crioula e organizam atividades como fandango e churrasco. Em Campo Grande, o CTG Farroupilha existe desde 1962, enquanto o Tropeiros da Querência foi inaugurado em 1990.







