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Ex-major de Mato Grosso do Sul nega tráfico de cocaína em julgamento na Bélgica

Sérgio Roberto de Carvalho afirma que outra pessoa com o mesmo nome cometeu os crimes atribuídos a ele no processo belga.

Ex-major de Mato Grosso do Sul nega tráfico de cocaína em julgamento na Bélgica
Foto: Reprodução

O ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sérgio Roberto de Carvalho negou, durante julgamento na Bélgica, participação em um esquema internacional de tráfico de cocaína. Conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, ele afirmou que os crimes foram cometidos por um homônimo.

“Foi um homônimo que cometeu esses crimes, não eu”, declarou Carvalho aos juízes. O brasileiro, de 68 anos, é acusado de fornecer pelo menos 16 toneladas da droga à organização de Flor Bressers, apontado pela acusação como líder de uma rede de tráfico para a Europa. Se condenado, Carvalho pode receber 15 anos de prisão.

Processo entra na fase final

O julgamento acontece no complexo Justitia, instalado na antiga sede da Otan, em Evere, na região de Bruxelas. O local conta com segurança reforçada. O processo teve troca de juízes, reclamações sobre as condições dos réus e conflitos entre advogados e o Ministério Público belga.

Carvalho havia faltado a sessões anteriores por enfrentar graves problemas de saúde e não conseguir permanecer por longos períodos no tribunal. Na quarta-feira (30), porém, compareceu para apresentar pessoalmente sua versão.

Ele foi preso na Hungria em junho de 2022, depois de uma busca internacional, e extraditado para a Bélgica em junho de 2023. Também era procurado por autoridades dos Estados Unidos, da Itália e da Espanha.

A acusação sustenta que a organização usava uma empresa de tratamento de água da Antuérpia como cobertura para importar cocaína da América do Sul. O Ministério Público atribui a Bressers a entrada de 16,9 toneladas da droga pelo porto de Roterdã, na Holanda.

Dez carregamentos, realizados entre agosto de 2019 e abril de 2020, teriam gerado lucro de 200 milhões de euros, equivalentes a 1,7 bilhão de reais. A procuradora federal Marianne Cappelle pediu 20 anos de prisão para Bressers, além de multas e confisco de bens de integrantes da rede.

As audiências foram retomadas em 7 de setembro, com uma nova composição de juízes. A previsão da Justiça belga era de pelo menos quatro semanas de sessões. A acusação e os advogados já apresentaram seus argumentos, mas ainda não há data informada para o encerramento das audiências ou para a sentença.

Disputas durante o julgamento

No início de 2026, foram acolhidos 21 pedidos de afastamento por suspeição contra os três juízes responsáveis pelo caso, o que levou à formação de um novo tribunal.

Outro conflito envolveu o advogado Hans Rieder. O Ministério Público pediu punição ao defensor por levar ao processo documentos de uma investigação contra Bressers na Antuérpia. O material reunia transcrições de conversas confidenciais entre advogados e clientes.

A defesa afirmou que os documentos foram apresentados apenas ao tribunal para questionar uma possível irregularidade na investigação. A audiência foi suspensa, e a punição imediata foi rejeitada por enquanto. A decisão definitiva ficará para a sentença.

A organização especializada em crime organizado InSight Crime também apontou que Carvalho é acusado de organizar voos com drogas do Peru e da Bolívia para o Brasil e, depois, remessas de cocaína para a Europa por portos brasileiros. As operações teriam começado por volta de 2017. Quando foi preso, em 2022, as autoridades acreditavam que ele havia coordenado o envio de pelo menos 45 toneladas da droga para a Europa.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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