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Escolas de Mato Grosso do Sul transformam água de ar-condicionado em pesquisa

Projetos de Campo Grande e Miranda estão entre os 30 semifinalistas do Solve for Tomorrow Brasil.

Escolas de Mato Grosso do Sul transformam água de ar-condicionado em pesquisa
Foto: Divulgação

Duas escolas públicas de Mato Grosso do Sul chegaram à semifinal da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil com projetos que reaproveitam a água condensada por aparelhos de ar-condicionado. Em Campo Grande, os estudantes criaram uma horta inteligente. Em Miranda, a equipe desenvolve um sistema de aquaponia ligado ao cultivo de hortaliças.

As iniciativas estão entre os 30 projetos semifinalistas da competição, que reúne escolas públicas de diferentes regiões do País. Os grupos agora participam de mentorias para aprimorar as soluções. Dez equipes avançarão à final, com anúncio previsto para 16 de outubro. A votação pelo júri popular começa em 23 de novembro, e os vencedores serão conhecidos em 8 de dezembro.

Horta inteligente em Campo Grande

Na Escola Estadual Professora Clarinda Mendes de Aquino, a investigação começou com a água que saía dos aparelhos de ar-condicionado e escorria por um corredor de acesso aos banheiros. O piso ficava molhado, e o recurso não tinha uma destinação definida.

O professor de matemática Reginaldo Vantini Júnior levou a situação para a sala de aula. Os alunos coletaram a água diretamente do dreno de um aparelho e calcularam o volume produzido em uma hora. Depois, ampliaram a estimativa para um dia e um ano, usando conceitos de volume e área.

A equipe percebeu que apenas armazenar a água não seria suficiente. Assim surgiu a EcoHorta Inteligente: Investigação e Automação no Reúso Hídrico Escolar, uma horta vertical que permite comparar o desenvolvimento de plantas irrigadas com água condensada e com água potável.

A horta experimental tem 40 vasos. Toda semana, os estudantes fazem análises do crescimento das plantas, enquanto sensores acompanham umidade do solo, temperatura, umidade relativa do ar, pressão atmosférica e fluxo de água. O sistema também gera gráficos e estatísticas, que são incorporados ao trabalho científico.

A estudante Isabela Lopes Rodrigues, de 17 anos, explicou que a proposta não era apenas retirar a água do corredor, mas encontrar uma forma de reutilizá-la. Com a classificação para a semifinal e a mentoria da competição, o grupo passou a desenvolver um aplicativo sobre o reaproveitamento da água em residências, incluindo a irrigação de plantas e outras atividades que não exigem água potável.

Para os alunos, o projeto aproximou a ciência da rotina. Rafael Moraes Lemes Pereira, de 17 anos, disse que passou a observar melhor as situações ao redor e a identificar possibilidades de aplicar a matemática fora dos exercícios escolares. Sara dos Santos Louveira, de 16 anos, afirmou que a experiência despertou seu interesse pela pesquisa.

Segundo Vantini, a Escola Clarinda possui atualmente 13 projetos aprovados pela Fundect, a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul. Cada projeto tem quatro bolsistas, reunindo mais de 50 estudantes.

Sistema de aquaponia em Miranda

Na Escola Estadual Caetano Pinto, em Miranda, a água condensada dos aparelhos motivou o AquaPantanal: Água que ensina, alimenta e preserva. A proposta relaciona a pesquisa ao território do Pantanal e investiga o uso desse recurso em um sistema de aquaponia.

A técnica integra a criação de peixes ao cultivo de plantas. O projeto ainda está na fase de protótipo, e a equipe realiza testes e análises antes de introduzir os animais. A intenção inicial é trabalhar com lambari e, se os parâmetros forem adequados, estudar depois a inclusão de espécies como o pacu.

No sistema planejado, a água da criação forneceria nutrientes às plantas. A professora de Ciências Biológicas Elissandra Barreto explicou que o projeto também leva os estudantes a discutir a preservação do bioma. O professor Flavio Rossi Galhardo de Figueiredo destacou a tentativa de aproveitar um recurso que normalmente seria descartado.

A pesquisa levou os alunos a estudar processos químicos relacionados aos peixes e à água, o papel dos microrganismos e cálculos de volumes e proporções. Para Matheus Pereira Claro, estudante do 2º ano do Ensino Médio, o trabalho também ajudou a desenvolver a comunicação ao exigir que as descobertas fossem explicadas.

Valentina Benevides Bento contou que nunca havia imaginado uma utilização desse tipo para a água dos aparelhos de ar-condicionado. Já Enzo Pereira Claro destacou a possibilidade de colocar em prática conteúdos ligados ao cotidiano.

A Escola Caetano Pinto recebe estudantes das zonas urbana e rural. A equipe pretende manter o AquaPantanal no ano seguinte, com a continuidade de parte dos participantes do 2º ano e a transmissão do conhecimento aos novos integrantes. A intenção é formar um ciclo dentro da escola e, se a experiência funcionar, torná-la uma referência para outras unidades.

Para Júlio Henrique Souza de Oliveira, de 16 anos, integrante da equipe de Campo Grande, a classificação aumentou a responsabilidade de representar Mato Grosso do Sul na disputa nacional.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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