UGANDA — A disputa pelo comando do reino tradicional de Tooro ganhou um novo capítulo após a princesa Ruth Komuntale apresentar um testamento que, segundo ela, foi escrito pelo rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV em 2022. O documento indicaria um filho biológico como herdeiro, mas não revelaria sua identidade.
A existência desse possível sucessor surpreendeu integrantes da elite de Tooro, que afirmaram nunca ter ouvido falar dele. Por isso, o filho foi excluído da votação que definiu o próximo rei. Na quarta-feira (9), o comitê de seleção do clã real Babiito anunciou o príncipe Edward Rukidi Kijanangoma, primo de Oyo, como escolhido para sucedê-lo.
Ruth Komuntale rejeitou a decisão e acusou pessoas de conspirarem contra ela e contra a Rainha-Mãe, Best Kemigisa. O rei Oyo morreu no mês passado, enquanto recebia tratamento contra o câncer nos Estados Unidos. Ele havia assumido o trono aos três anos de idade e governado Tooro durante 31 anos. O Guinness World Records o reconheceu como o monarca reinante mais jovem do mundo.
Família no palácio
Em um comunicado emitido nesta quinta-feira (10), Best Kemigisa afirmou que tropas retiraram os guardas reais sem aviso prévio e foram posicionadas ao redor do palácio. A mãe do falecido rei disse que ela e outros integrantes da família real estavam sendo mantidos contra a vontade.
“Não podemos sair nem receber pessoas livremente. Estamos sob prisão domiciliar”, declarou a Rainha-Mãe.
A sucessão também provocou críticas de Andrew Mwenda, figura poderosa de Uganda originária de Tooro. No X, ele questionou a possibilidade de um filho não reconhecido oficialmente assumir o trono e afirmou que o reino precisaria conhecer a mãe e seus antecedentes.
Uganda é uma república, mas reconhece reis tradicionais como instituições culturais com poder político limitado. O continente africano tem apenas três monarquias soberanas: Essuatíni, Lesoto e Marrocos. Outros países mantêm reinos tradicionais com função cultural e sem poder político.








