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Cercas direcionadoras são essenciais para evitar atropelamentos de animais nas rodovias

Passagens de fauna só funcionam quando cercas conduzem os animais até estruturas seguras, segundo especialistas.

Cercas direcionadoras são essenciais para evitar atropelamentos de animais nas rodovias

Passagens subterrâneas ou elevadas não são suficientes para impedir que animais atravessem rodovias pela pista. Em Mato Grosso do Sul, pesquisadores e organizações de conservação defendem que essas estruturas sejam combinadas com cercas capazes de bloquear o acesso ao asfalto e direcionar a fauna até os pontos seguros de travessia.

Estudos da INCAB (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira) e do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) indicam que cercas específicas, associadas a passagens instaladas de forma adequada, podem reduzir em mais de 80% as colisões.

“É necessário ter cercas, um cercamento que direciona esses animais para essas passagens”, afirma Jade Tissiani, secretária-executiva do Observatório Rodovias Seguras para Todos. Ela participou do evento ConservAção MS, em Campo Grande.

Estruturas precisam considerar cada espécie

O cercamento funciona como uma barreira entre o animal e a pista e, ao mesmo tempo, como um corredor até a passagem. Para definir os locais e os modelos adequados, é necessário analisar por onde os animais circulam e quais espécies estão presentes na região.

Cursos d’água, fragmentos de vegetação e áreas de alimentação ou deslocamento ajudam a identificar esses caminhos. O monitoramento também permite localizar os chamados hotspots, pontos em que as colisões se concentram. Uma das ferramentas usadas para reunir os registros é o Cofauna (Mapa de Colisões com a Fauna), plataforma com dados georreferenciados sobre atropelamentos e colisões.

Os registros, porém, podem não mostrar todos os casos. Alguns animais deixam a pista depois do impacto e morrem na vegetação, sem que a ocorrência seja contabilizada. Por isso, Jade afirma que a quantidade de registros também deve ser considerada ao comparar estados: “Pode ser que a gente monitore mais”.

O problema envolve ainda a segurança dos motoristas e passageiros. Dados atualizados pelo Observatório Rodovias Seguras para Todos apontam que 53 pessoas morreram desde 2013 em colisões com antas nas rodovias de Mato Grosso do Sul.

Em 3 de agosto, uma adolescente de 13 anos e o padrasto de 38 morreram depois que o carro em que estavam atingiu uma anta na BR-267, entre Rio Brilhante e Maracaju. O motorista perdeu o controle, invadiu a pista contrária e bateu de frente com um caminhão carregado com etanol. Os veículos pegaram fogo, e os ocupantes do carro morreram no local.

Obras na BR-262

A BR-262 tem um contrato iniciado em 2025 para reduzir os impactos sobre a fauna. O projeto prevê 170 quilômetros de cercas condutoras, 7 passagens superiores, 10 subterrâneas, sinalização vertical e redutores de velocidade.

Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), R$ 30 milhões estão provisionados para as ações. A rodovia é apontada pelo órgão como a que recebe atualmente o maior investimento público do País em mitigação de fauna.

Nem sempre é necessário construir uma passagem nova. Dependendo das características do local e das espécies, bueiros e passagens de gado podem ser adaptados. Para Jade, as intervenções na BR-262 ainda não formam uma situação ideal, mas podem servir de referência para outras estradas do Estado.

A escolha das cercas também influencia o resultado. Modelos convencionais, como os de quatro fios usados em propriedades rurais, não necessariamente impedem que animais silvestres cheguem à pista. Além disso, cercas curtas podem fazer com que o animal siga pela barreira até o fim e tente atravessar a rodovia naquele ponto.

A instalação de cercas direcionadoras é discutida para rodovias estaduais, incluindo a MS-345, na região de Bonito e da Serra da Bodoquena. A proposta é analisar cercamento, passagens e características da paisagem como partes de um mesmo sistema, e não como intervenções isoladas. Jade também defende que essas medidas sejam previstas antes da construção ou ampliação das estradas.

Texto produzido pela Redação Casa com Ideia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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