CAMPO GRANDE — Uma oficina gratuita de culinária ensinou mulheres do Jardim Tarumã a preparar brigadeiro com banana madura e cascas que seriam descartadas. A atividade também apresentou a saltenha, receita típica da culinária boliviana presente na região de fronteira.
A receita do brigadeiro foi criada pela gastrônoma Eva Galvão Santos com foco na sustentabilidade. A casca passa por água quente e depois é batida no liquidificador com a banana madura. Em seguida, são adicionados leite em pó, leite integral, farinha de trigo, açúcar e achocolatado ou cacau. A mistura vai ao fogo até atingir o ponto de brigadeiro.
Após descansar de um dia para o outro, a massa pode ser enrolada e coberta com granulado. Eva também explica que metade do brigadeiro feito com casca de banana pode ser misturada à metade de uma receita tradicional, ajudando a aumentar o rendimento e a economizar leite condensado.
“É uma novidade aqui em Campo Grande. É uma receita que eu criei por sustentabilidade”, explicou Eva Galvão Santos.
A preparação pode ser adaptada para quem procura uma opção com menos açúcar. A proposta da oficina foi mostrar que o aproveitamento de alimentos pode contribuir para uma alimentação mais equilibrada e para a economia na cozinha.
Aprendizado para gerar renda
A capacitação foi realizada pelo FAZ (Fundo de Apoio à Comunidade), na sede do Isac (Instituto Social Ajudar e Cuidar). A iniciativa ensinou receitas de baixo custo, abordou o combate ao desperdício e apresentou alternativas para transformar a cozinha de casa em fonte de renda.
Ana Lúcia Martins, uma das alunas, contou que já cozinha para a família e os amigos e participou da atividade para aperfeiçoar o que faz e buscar uma possibilidade de trabalho. O brigadeiro com casca de banana era novidade para ela.
“Eu nunca tinha experimentado e achei uma novidade maravilhosa”, afirmou Ana, que aprovou o doce depois de provar. Além da receita, ela pretende levar o aprendizado para casa e compartilhar a preparação com parentes e amigos.
A turma também aprendeu a fazer saltenha, aproximando as participantes de receitas ligadas à cultura regional e aos países vizinhos. Para Adir Diniz, presidente do FAC, as oficinas atendem especialmente pessoas que enfrentam dificuldades para trabalhar fora de casa. Muitas alunas são mães solo ou atípicas e podem encontrar na produção doméstica uma forma de gerar renda.








