SÃO PAULO — A Artesp suspendeu por 90 dias a operação da Trivia Trens nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Com a medida, a CPTM retomou temporariamente a operação e a manutenção dos trechos. Se o cronograma for mantido, a concessionária poderá voltar a administrar as linhas em outubro.
A agência reguladora interrompeu a ordem de serviço que permitia à Trivia Trens operar exclusivamente o sistema. A empresa retornou à fase pré-operacional do contrato, enquanto a CPTM reassumiu as atividades nas três linhas.
Falhas e impacto na circulação
Em 23 de julho, um problema no fornecimento de energia provocou um princípio de incêndio nas proximidades do pátio de manutenção da Bresser-Mooca. Passageiros precisaram caminhar pelos trilhos, e a circulação foi interrompida, afetando o sistema ferroviário e metroviário da capital.
Ainda naquele dia, uma falha elétrica havia prejudicado o serviço. A operação foi normalizada por volta das 14h. Na linha 12-Safira, onde o problema começou, os trens circularam durante a manhã somente entre Tatuapé e Calmon Viana. O trecho foi o último a ter o funcionamento restabelecido.
Em nota, a CPTM confirmou ter sido notificada e afirmou possuir “todas as condições técnicas e operacionais” para reassumir temporariamente o serviço. A Trivia Trens lamentou o ocorrido e declarou compromisso de investigar as causas técnicas que afetaram os deslocamentos dos passageiros.
A paralisação dos ferroviários, que começa amanhã, tem entre suas reivindicações a reversão das concessões e privatizações do sistema ferroviário paulista, incluindo as linhas 11, 12 e 13. Os trabalhadores também pedem garantia de empregos e direitos durante a transição para a iniciativa privada.
Inquérito do Ministério Público
Em 28 de julho, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar a qualidade do serviço nas três linhas. A portaria registra mais de sete falhas operacionais graves nos três primeiros dias de atuação da Trivia Trens.
A investigação inclui a concessionária, a CPTM, a Artesp e o Estado de São Paulo, por meio da Secretaria dos Transportes Metropolitanos. O Ministério Público afirma que as linhas já tinham histórico de falhas sob operação exclusiva da CPTM e pretende avaliar o serviço de forma sistêmica, tanto no modelo público quanto no privado.







